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Agricultores de Santo Ângelo estão colhendo em média 5 sacas de soja/ha

Expectativa inicial era de produtividade de 40 sacas/ha. Colheita está 98% concluída

21 de Abril de 2012 às 11:00
Agricultores de Santo Ângelo estão colhendo em média 5 sacas de soja/ha
Na propriedade de Remi Lizzot, a soja praticamente não se desenvolveu

 A estiagem registrada na região trouxe sérios problemas à agricultura. Um deles é uma quebra de 87,5% na produção de soja, em Santo Ângelo. Em Eugênio de Castro, as perdas chegam a 86%; em Vitória das Missões e São Miguel das Missões a 90% e em Entre-Ijuís a 96%.

Só em Santo Ângelo, a Emater realizou 470 vistorias de Proagro para a soja. A colheita que está 98% concluída já mostra o tamanho das perdas. Os agricultores santo-angelenses que tinham uma expectativa inicial de colher, em média, 40 sacas por hectare, estão colhendo apenas 5 sacas. “A colheita está confirmando uma baixa produtividade por hectare e para piorar, o produto colhido é de baixa qualidade, pois até 50% desta produção é com grãos avariados, ou seja, verdes e sem qualidade de óleo e proteína”, diz Rubens Tesche, supervisor regional da Emater.

Tesche salienta que com os prejuízos causados pela seca está se percebendo uma tendência de elevação nos preços dos produtos derivados de soja para o produtor. “O ciclo de soja iniciou com chuvas regulares e o suficiente para a germinação. Entretanto, a partir de dezembro começou a escassez de chuva provocando a redução no desenvolvimento vegetativo das plantas, apresentando pequeno porte”, enfatiza.

A certeza de que tudo estava perdido veio nos meses de janeiro e fevereiro quando a quantidade de chuvas continuou baixa, mantendo a plantação, que naquele mês entrava em floração, com tamanho inferior do ideal.

O agricultor Edson Luis Forgiarini, do Rincão do Sossego, plantou 30 hectares de soja e praticamente perdeu tudo. O mesmo drama foi vivido por Remi Lizzot, que cultivou 16 hectares de soja na localidade de Olhos D’Água.

O supervisor da Emater, Rubens Tesche aponta para uma expectativa de os agricultores ampliarem a área das culturas de inverno, especialmente aumentando o plantio do trigo, a fim de compensar as perdas de soja e milho já registradas neste ano. “Se isso se confirmar a área de trigo em Santo Ângelo passará de 13,5 mil hectares para 15 mil, um incremento em torno de 15%”, destaca.

Quebra na safra aumenta preço pago ao produtor

O gerente regional da Camera, Adolfo Ademir Gerloff, diz que hoje está faltando produto em razão da falta de chuvas no período de produção. A mesma situação é vivida em países como Argentina e Paraguai, porém, observa que o problema é localizado, como por exemplo, no Brasil, a região mais atingida é o sul (especialmente o Rio Grande do Sul).

Com a baixa produção a tendência é de elevação de preços. Nesta sexta-feira (15), o preço de balcão da soja pago ao produtor foi de R$ 52,50. O menor preço pago ao produtor neste ano foi no dia 16 de janeiro, com R$ 40,50.

A Camera é a empresa que recebe a maior parte da produção de soja do município de Santo Ângelo por estar estrategicamente situada no Parque Industrial, no Comandaí e Esquina Buriti.

Neste ano recebeu 145 mil sacas de soja até o momento, número inferior a estimativa inicial que era receber em torno de 1 milhão de sacas. “Vale lembrar que mesmo vivendo um ano de estiagem e baixíssima produção de grão, a Camera reativou a planta industrial de soja no município de São Luiz Gonzaga que estava desativada há uma década”, finaliza.

Fotos vinculadas

Edson Luis Forgiarini plantou 30 hectares e praticamente perdeu tudo Gráfico mostra evolução do preço da soja pago nos últimos 30 anos Gerente regional da Camera, 
Adolfo Ademir Gerloff

Por Odair Kotowski (odair@jornaldasmissoes.com.br)

Fonte: Jornal das Missões

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