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Profissional avalia legado das Paralimpíadas no Brasil

Professor Hed Vilson Pires destaca a importância dos Jogos para fomentar a inclusão

20 de Setembro de 2016 às 09:00
Profissional avalia legado  das Paralimpíadas no Brasil
Professor Hed Vilson Pires (Foto: Raíza Goi)

 A delegação brasileira superou marcas relevantes e quebrou recordes históricos nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, encerrados no último domingo (18). O destaque ficou por conta do total de medalhas conquistadas nas arenas cariocas: 72, o maior número de pódios do país em todas as edições, superando, a marca anterior de 47, que havia sido estabelecida em Pequim (2008). Já em comparação com os Jogos de Londres (2012), o crescimento no número total de medalhas é ainda mais expressivo: 67%. Neste ano, o Brasil também teve a sua maior delegação da história nos Jogos, com 285 atletas que defenderam as cores nacionais.
Membro do Núcleo Estadual de Paradesporto da Fadergs, Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para PcD e PcAH no Estado, o professor Hed Vilson Pires avalia de forma positiva a realização das Paralimpíadas no Brasil e ressalta a importância dos Jogos para fomentar a inclusão. A Faders funciona em Porto Alegre e conta com um núcleo de esportes que possui representantes voluntários no interior do Estado, visando fomentar a prática do paradesporto. “A Paralímpíada acontecendo no Brasil possibilitou que mais pessoas pudessem vivenciar esse momento e conhecer os esportes. Fizemos uma história muito maior que os Jogos anteriores quanto a quantidade de participantes e de medalhas. Esperamos que isso se transforme em mais apoio para o esporte Paralímpico”, reforça.

PRÁTICA PARADESPORTIVA
O profissional ressalta que, ao contrário do esporte tradicional, no esporte adaptado, o simples fato de praticá-lo já é considerado uma vitória, em virtude das dificuldades em espaços físicos, por exemplo. A isso, se atribui a falta ou o pequeno número de atletas no paradesporto. Destaca-se que aqueles que participam dos Jogos Paralípicos são atletas profissionais de alto rendimento. “Outro aspecto positivo da Paralimpíada é mostrar para a comunidade deficiente que existe uma forma de praticar o esporte”, afirma, complementando que após este incentivo, a dificuldade está em adequar e adaptar propostas e estruturas. Nesse momento, quem é deficiente se depara com dificuldades de locomoção, falta de transporte adaptado, falta de estruturas de calçadas, questões que podem o afastar da prática esportiva.

FORMAÇÃO
Pires explica que alguns especialistas apontam que um dos dificultadores dos avanços do paradesporto no Brasil é a formação profissional. “No país, as cadeiras que formam profissionais na área da Educação Física tratam ainda esta modalidade e essa área esportiva de forma muito pouco privilegiada, formando profissionais que, por sua vez, depois vão para as escolas e não sabem o que fazer com as crianças que teriam grande potencial. Como as instituições de ensino superior têm dado pouco espaço para o esporte adaptado, estes profissionais vão para as escolas e não conseguem fazer com que estas crianças possam praticar. Isso influencia obviamente no resultado de uma Paralimpíada. Como temos poucos praticando, temos pouco rendimento”, avalia.
Neste sentido, o professor destaca a importância de que as pessoas entendam que o esporte adaptado não precisa necessariamente ser praticado só por deficientes. O Goalball por exemplo, é disputado por atletas com deficiências visuais, que jogam vendados. Sendo assim, para praticá-lo e gerar a inclusão de algum deficiente, basta que os outros jogadores o pratiquem com vendas. “Em São Paulo existe o Campeonato Paulista de Goalball, onde as pessoas usam vendas e jogam. Ele é o esporte dos cegos, e foi feito para eles. Trata-se do único esporte da Paralimpíada feito para o deficiente, os demais são todos adaptados”.
Hed Vilson destaca o trabalho da Fadergs e também do RS Paradesporto, associação criada com a finalidade de fomentar e desenvolver a prática de atividades esportivas para pessoas com deficiência, duas instituições que em nível de Estado são as que mais mobilizam o paradesporto. “Através da Fadergs e do RS Paradesporto, está se tentando fazer com que se fomente, tenha-se mais conhecimento sobre os espotes adaptados, que se incentive mais a prática, que os municípios entendam a importância de também de atender o cidadão com deficiência, que as instituições de ensino superior, principalmente na área do esporte, tenham ações e capacitação de seus egressos mais voltada ao paradesporto, que os empresários através das leis de incentivo entendam que existe sim uma forma também de se fazer a divulgação de sua marca através do paradesporto, e principalmente, que se possa fazer com que esses cidadãos sejam atendidos. É importante entender sempre que saúde, mobilidade, educação, todos estes itens são importantes, mas que também através do esporte, do lazer e da cultura também pode-se trabalhar uma inclusão social muito maior”. Quanto ao cenário do esporte adaptado em Santo Ângelo, o professor lembra que “no município existem muitos eventos esportivos de diversas modalidades, mas que, no entanto, não contemplam modalidades para os deficientes”.
Segundo o profissional, a previsão é que para o próximo ano, através de projetos e parcerias, sejam implementadas modalidades de Goalball e Vôlei Sentado, em Santo Ângelo.

Fonte: Jornal das Missões

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