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Dinarte Belato: “A lógica dos ‘seres humanos inferiores’ ainda está presente

Professor foi conferencista da primeira noite do Fórum Social Missões

01 de Abril de 2012 às 18:34
Dinarte Belato: “A lógica dos ‘seres humanos inferiores’ ainda está presente
Dinarte Belato chamou a atenção para o

Na noite de quinta-feira (29), durante Conferência do 4º Fórum Social Missões, o filósofo, professor e mestre em História Dinarte Belato fez uma breve apresentação da evolução dos direitos dos povos no mundo, e do que ainda é preciso melhorar. Ele esteve acompanhado dos debatedores Isaura Isabel Conte, mestre em Educação e representante do Movimento de Mulheres Camponesas, e de Mauro José Gaglietti, historiador e professor do Mestrado da URI. O debate foi mediado pela professora Neusa Scheid.

Dinarte Belato começou falando de como as sociedades se constituíram, em que na Grécia antiga, por exemplo, Platão e Aristóteles afirmavam que um determinado tipo de pessoas eram destinadas a ser escravas. “Era como se as pessoas já nascessem com o seu lugar na pirâmide social. As sociedades ainda mantém a diferença de classe como se fosse algo natural. Ainda há essa ideia de ‘seres humanos inferiores’. Essa lógica ainda está presente”, criticou Belato, ao relacionar essa lógica com o racismo ou intolerância aos outros.

O historiador afirmou que após a 2ª Guerra Mundial, a resposta da humanidade foi a criação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, porém esta ação não acabou com as guerras e matanças de povos inteiros. “Por enquanto as grandes potências usam o pretexto de ‘direitos dos povos’ para intervir. É preciso pensar no direito macrocoletivo, que então de chamaria de ‘direitos dos povos’.

Belato afirmou que a relação de reconhecimento de direitos de gentes (povos) vem dos gregos, que constituíam uma unidade, uma forma de convivência, e os que não faziam parte eram chamados de bárbaros ou de seres inferiores. “Já os romanos reconheciam os outros povos como gente, mesmo assim isso não os impedia de escravizar os outros povos”, lembrou.

Ao falar dos dias de hoje, na região, Belato ressaltou que os processos migratórios destruíram esse tipo de relações, porém esse “estranhamento” com outros povos continua em países do Oriente Médio. “Essa percepção de estranhamento é ver que o outro é diferente e eu sou incapaz de reconhecê-lo. Isso se fala de quem é diferente da gente. Os jesuítas afirmavam que os índios eram bárbaros e pagãos. E com sua chegada, os índios demonstraram uma capacidade tão grande de aprender que evoluíram mais de sete mil anos em três gerações. Eles mostraram que eram inteligentes e estavam prontos para o processo civilizatório”, explicou ele, para afirmar que é necessária uma relação e troca de conhecimentos entre os povos para haver ganhos.

DIREITOS DAS MULHERES

Conforme Belato, para que acabe esse estranhamento entre os povos é necessária a construção de direitos, que segundo ele é uma tarefa que não pode ser segmentada, mas sim levando em conta a multiplicidade. “A própria relação do homem e da mulher leva em conta a exclusão e o desprezo. Mas no último século essa relação deu saltos qualitativos de crescimento”, comemorou.

Isaura Isabel Conte, por sua vez, fez um paralelo da evolução dos direitos das mulheres, principalmente no século 20. Mas ela criticou a violência que a mulher ainda sofre, por parte dos homens. “Por que somos violentadas? Somos inferiores? O homem tem o direito de cometer a violência?”, questionou. Ao concluir, ela afirmou que a lei não muda por conta, mas que é preciso mobilização para conquistar direitos.

Por fim, o professor Mauro José Gaglietti afirmou que a modernidade vem evoluindo da relação com os outros e não apenas com os semelhantes, e lembrou que a mulher vem conquistando espaço na sociedade, mas que os últimos redutos masculinos na humanidade são a religião e a política.

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Por Tiarajú Goldschmidt (tiaraju@jornaldasmissoes.com.br)

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