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Case: 15 anos atuando na ressocialização de adolescentes em conflito com a lei

O Centro de Atendimento Socioeducativo de Santo Ângelo inaugurou no dia 29 de março de 1998 com apen

22 de Março de 2013 às 10:00
Case: 15 anos atuando na ressocialização  de adolescentes em conflito com a lei
Nos primeiros seis meses do Case, agentes socioeducadores viveram momentos de tensão. Foto: Odair Kotowski/JM

 O Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Santo Ângelo completa 15 anos de funcionamento no próximo dia 29 de março. A unidade local foi a segunda a ser inaugurada no Estado, em 29 de março de 1998, com o objetivo de descentralizar o trabalho de cumprimento de medidas socioeducativas para adolescentes em conflito com a lei.

Inicialmente chamado de Centro da Juventude de Santo Ângelo, sob a administração da antiga Febem, surgiu com a proposta de atender adolescentes infratores entre 12 e 18 anos e jovens adultos com idade entre 18 e 21 anos incompletos, que receberam medida socioeducativa de internação, seja na modalidade provisória, em forma de regressão ou imposta por sentença definitiva pelos Juizados da Infância e Juventude das Comarcas que compõe os municípios da região.

Em 2002, com a reestruturação administrativa da entidade, que passou a denominar-se Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase), a unidade de Santo Ângelo passou a ser chamada de Case. Atualmente com a capacidade para 40 adolescentes abriga 21 meninos que vivem em quartos individuais.

O diretor do Case, Dalmir Ledur, explica que o programa de atendimento contempla a Internação Provisória, a Regressão de Medida, a Internação sem Possibilidade de Atividade Externa e a Internação com Possibilidade de Atividade Externa.

ESTRUTURA DE PESSOAL
1 diretor e 1 diretor adjunto, 34 Agentes socioeducadores, Assistente Social, Enfermeiros, Advogado, Técnico em Recreação, Técnico em Educação, Psicóloga, 2 cozinheiras, 1 motorista, 1 auxiliar de enfermagem, 3 técnicos em enfermagem, 1 assistente administrativo, 1 técnico agrícola, 1 oficial de manutenção, 1 médico psiquiatra e 1 médica clinica geral.

ESTRUTURA FÍSICA
No térreo funcionam as salas de aula da Escola Estadual de Ensino Fundamental Herbert de Souza; salas de atendimentos técnicos como advogado, enfermeiros, médicos, assistente social, pedagoga, psicóloga e técnico em recreação; refeitórios, solário (pátio onde os adolescentes tomam sol); salas de triagem (locais onde os recém ingressados passam por um período de adaptação de 72 horas), salas de atendimento especial (reservada para o cumprimento de sanções disciplinares), setor administrativo, auditório para visitas e eventos e uma quadra poliesportiva no centro da estrutura.
No primeiro pavimento há 40 dormitórios individuais; dois banheiros coletivos; salas de TV e sala da chefia da equipe de sócioeducadores.
Na área externa, há uma horta, garagem, jardins e guarita da Brigada Militar.

 

As lembranças escondidas atrás das grades

O técnico em recreação Paulo Castro, que foi um dos primeiros funcionários do Case, nomeado aos 23 anos, recorda que os primeiros seis meses de funcionamento do Case foram muito tensos.
Nos primeiros quatro dias, o Case teve um único morador. A partir do quinto dia começaram a ingressar oito adolescentes entre 18 e 20 anos com perfil altamente agravados, com histórico de liderarem motins e rebeliões em unidades da antiga Febem, em Porto Alegre. “Em função da inexperiência do corpo funcional e do perfil dos adolescentes que eram da região, mas que estavam na Febem de Porto Alegre. Esses jovens, que geralmente lideravam as grandes rebeliões por lá, foram trazidos para cá e resistiam as ordens impostas por nós”, frisa.
Depois de seis meses, esses adolescentes "perigosos" começaram a ser desligados do Case por determinação da Justiça Estadual e a unidade local começou a realmente implantar um processo socioeducativo com uma característica própria de organização, disciplina e evolução na questão pedagógica, tornando-se uma referência no Rio Grande do Sul.
A POPULAÇÃO DE INTERNOS
Da inauguração até agora já ingressaram no Case 1.923 adolescentes (considerando aqueles que ingressaram mais de uma vez). Os atos infracionais que mais levaram os jovens a internação foram contra o patrimônio, como furto e roubo, seguidos de delitos contra a vida como homicídio e tentativa de homicídio. “O que chama a atenção é que o tráfico de drogas é um dos crimes que menos tem levado os adolescentes a restrição de liberdade, graças a Rede de Atendimento”, afirma o diretor Dalmir Ledur.


“Só mudei de vida com a ajuda do
Case”, conta um dos primeiros internos

Ronaldo Oliveira Souza, 28 anos, foi um dos primeiros internos do Case. Tinha 13 anos quando foi recolhido para a internação pela primeira vez, em novembro de 1998. Cascatinha, como era conhecido no mundo do crime, teve a liberdade parcialmente interrompida por duas ocasiões e sempre pelos mesmos atos infracionais: roubo de carro, porte ilegal de arma de fogo, posse de drogas e assalto.
Em abril de 1999 voltou para casa, mas três meses depois foi internado novamente e ficou apreendido durante mais um ano e 30 dias, período em que começou a refletir sobre os seus erros. “Entrei para o crime devido às drogas e às parcerias. Morava com minha avó, que não me orientava para o correto”, afirma.
Hoje, Ronaldo mora em Santa Maria, é casado, não tem filhos e trabalha numa empresa de venda de sistema de aquecimento solar e piscinas. Garante que conseguiu se ressocializar com o apoio do Grupo Amor Exigente e das atividades esportivas que participava no Case. “Está mentindo aquele que comete algum crime e diz que não sabe o que está fazendo. Hoje eu prefiro que me chamem de Ronaldo. Quando alguém me chama de Cascatinha me vem à mente todo o meu passado e o sentimento de culpa”, finaliza.
 

Fotos vinculadas

O Case de Santo Ângelo foi a segunda unidade de descentralização da Fase no Estado do RS Nessa semana, Ronaldo Souza visitou o Case, local onde ele confessa ter tido uma lição de vida Dalmir Ledur, diretor do Case

Por Odair Kotowski (odair@jornaldasmissoes.com.br)

Fonte: Jornal das Missões

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