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Forte chuva de quinta-feira gerou trabalho e perdas materiais para moradores

Acomodar pertences em cima de outros foi alternativa para reduzir prejuízos

07 de Dezembro de 2013 às 08:58
Forte chuva de quinta-feira gerou trabalho e perdas materiais para moradores
Elveni e David Zarembski, que moram na Av. Sagrada Família, contaram que o volume de barro causado pela chuva chegou à metade da via. O casal se engaja em limpar por receio de que depois, com o sol, o barro vire pó e invada sua casa. Fotos: Murian Cesca

Cadeiras em cima de mesas, sapatos sobre o balcão da cozinha, sofás em cima de sofás. Estes e outros cenários eram encontrados em residências santo-angelenses na manhã de quinta-feira (5), quando uma forte e constante chuva caiu sobre a cidade. Só em uma hora, foram entre 85 e 88 milímetros.

Depois que ela deu uma trégua, restou aos moradores organizar suas casas e buscar se livrar da água e do lodo que entraram como convidados mais do que indesejados. O Corpo de Bombeiros de Santo Ângelo recebeu aproximadamente 40 ligações de moradores pedindo orientações, a maior parte oriunda dos bairros Harmonia, Santo Antônio, Emília e Nova. Três pessoas acamadas, impossibilitadas de se locomover, foram retiradas de casa pelos Bombeiros no momento da chuva. Segundo a corporação, não houve avarias mais graves registradas em residências.

COM A CHUVA, O BARRO; COM O BARRO E O SOL, PÓ

Por volta das 11h15min, Elveni e David Zarembski, ambos com 64 anos, buscavam limpar, com vassoura e mangueira, o barro que havia se formado na via localizada em frente à residência do casal, na Avenida Sagrada Família. O serviço levou quase duas horas. Quando a reportagem do Jornal das Missões os entrevistou, boa parte do trabalho já havia sido feita. Por a casa ter sido construída acima do nível da rua, Elveni e David não sofreram com a entrada de água em seu lar – mas não é exatamente aí que reside o problema. “Toda vez que chove a gente precisa limpar a rua, porque depois, quando abre sol, o barro seca e todo o pó vai pra dentro de casa. A rua fica parecendo estrada de chão. Eu não tenho mais idade pra ficar limpando por tanto tempo assim”, afirmou Elveni. David chamou a atenção para a situação das bocas-de-lobo – na região de sua casa, há duas abertas e outras fechadas, o que dificulta o escoamento da água que fica sobre a via. “Tinha terra até quase a metade da via, estava um lodo só. A gente reclamou, ligou urgente pra Secretaria de Obras, pedimos pra alguém vir aqui, dar uma olhada, e não veio ninguém. Uma situação péssima, vira tudo barro. Moramos aqui há 33 anos e é sempre a mesma coisa. Alguma coisa tem que ser feita. A gente paga imposto”, destacou o morador.

Na Travessa Camaquã, no Bairro Colmeia, a água que invadiu as residências de dois moradores entrevistados gerou perdas – além, é claro, do trabalho de retirá-la de casa e limpar as marcas de barro que o lodo criou. O vendedor Pedro Jardel Borba Nascimento, 32 anos, que mora com esposa e filha, de 8 anos, e o seu vizinho Edson Adão Machado, 22, pedreiro, que reside com a mãe, esposa e filho, de 3 anos, contabilizavam as perdas que tiveram com as fortes chuvas. “A água vem e não tem como escoar. A Prefeitura iria fazer uma boca-de-lobo, e primeiro iria criar uma tubulação até fazer a rua, pra escoar a água e ela ir pra um vale que fica em direção ao rio, mas já passou mais de um ano e não teve nada”, declarou Pedro.

Ele perdeu, com a chuva de quinta-feira, uma estante, dois guarda-roupas e uma cômoda, da sua filha. Edson perdeu um freezer e uma geladeira – em outras situações, já havia perdido guarda-roupas, colchões e roupas. Eles também reclamam que, com todo o quadro que se cria nas chuvas, suas famílias são obrigadas a conviver, em casa, com a presença de aranhas e escorpiões, que, em função do volume de água maior, saem das galerias e esgotos, onde costumam viver, em busca de abrigos mais secos.

Fotos vinculadas

Água chegou a níveis bastante elevados e atingiu veículos. Foto: Rafael Ferreira/Especial/JM Moradores se viram obrigados a remover a água que invadiu casas Vizinhos no Bairro Colmeia, Pedro e Edson tiveram perdas materiais

Por Murian Cesca (murian@jornaldasmissoes.com.br)

Fonte: Jornal das Missões

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