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Policiais civis revelam detalhes da investigação que elucidou o caso da morte do menino Bernardo

Carlos Conrado e Luciano Dornelles, da Polícia Civil de Santo Ângelo, participaram da força-tarefa

26 de Abril de 2014 às 08:00

A elucidação do caso do desaparecimento do menino Bernardo Boldrini, de 11 anos, contou com a participação de dois policiais de Santo Ângelo na força-tarefa coordenada pela delegada Caroline Bamberg Machado. O comissário Carlos Reginaldo Conrado e o inspetor Luciano Dornelles falaram sobre o assunto durante entrevista ao radialista Luis Roque Kern e o repórter Irani Brum, no programa “Rádio Visão”, da Rádio Santo Ângelo, nesta semana.

O comissário Conrado e o inspetor Luciano fizeram parte do grupo de trabalho que contou ainda com a participação de dois policias de Santa Rosa e dois integrantes do Departamento Estadual da Criança e do Adolescente de Porto Alegre (Deca). Ao todo foram cinco dias de trabalho e 1.500 quilômetros rodados com as viaturas nas diligências entre Três Passos e Frederico Westphalen.

FORÇA-TAREFA
De acordo com Conrado, o inicio da participação da Polícia Civil de Santo Ângelo, na força-tarefa, iniciou no sábado (12). “Quando chegamos em Três Passos, a delegada Caroline apresentou detalhes do inquérito apontando fortes indícios do envolvimento do médico Leandro Boldrini, a enfermeira Graciele Ugolini e a assistente social, Edelvânia Wirganovicz, no desaparecimento do menino. Sugerimos então que o ponto fraco seria a assistente social”, conta.

NOVA VERSÃO
Ele explicou que no outro dia (domingo) a força-tarefa foi para Frederico Westphalen, onde interrogou por mais de três horas a suspeita Edelvânia. “Esse foi o terceiro interrogatório e ela mudou sua versão, acrescentou novos detalhes do caso, contando que chegou a circular pelas ruas de Frederico Westphalen em seu automóvel Fiat/Siena, juntamente com Bernardo e Graciele”, conta.
Conrado diz que, na segunda-feira (14), a polícia fez contatos com vários estabelecimentos comerciais de Três Passos, visando buscar imagens para ajudar na investigação. “Numa dessas câmeras identificamos Graciele dirigindo uma Mitsubish L 200, por volta das 17h17min, no dia 4 de abril, em Três Passos, data em que desapareceu Bernardo. O veículo tinha vidro fumê. Por isso vimos apenas ela dirigindo. Verificamos que ela chegou na cidade, por volta das 17 horas, ao retornar de uma viagem de Frederico Westphalen”, detalha.

PISTAS
Os policiais da força-tarefa foram no guincho onde estavam a camioneta L200 (de Graciele), o Hyundai Veloster (Leandro) e o Fiat Siena (Edelvânia) para buscar pistas. No porta-luvas do Siena encontraram um ticket do Posto Piaia de Frederico Westphalen, revelando a compra de extintor de incêndio, às 15h58min. Diante deste fato foram para Frederico Westphalen avaliar imagens. De acordo com Conrado, ao chegar no posto, verificou-se que o aparelho estava três horas adiantadas e que na verdade Edelvânia comprou o extintor por volta das 13 horas.

Conrado conta que o proprietário do posto disse que conhecia Edelvânia por ela morar ao lado da empresa. “Ao verificarmos as imagens do posto, vimos Edelvânia chegando no local para comprar, acredito que um picolé, no dia 4 de abril. Depois verificamos a chegada da L 200 de Graciele Ugulini que estacionou o veiculo, às 13h57min. Saem do carro a madrasta e o Bernardo. As duas conversam e entram no Fiat Siena, assim como Bernardo, por volta de 14 horas. Bernardo e a assistente social entraram no veículo como caroneiros e Graciele dirigindo o Siena. Já às 15h30min, as imagens da câmera de segurança do posto mostram as duas mulheres retornando sem o Bernardo”, revela.

O comissário diz ainda que a madrasta de Bernardo comprou uma televisão. A prova está no cartão de crédito de Graciele que mostra a efetivação do negócio, às 16 horas. A compra da televisão foi utilizada pela Graciele como “álibi” para sua ida a Frederico Westphalen. 

Prisão da assistente social

O comissário Carlos Reginaldo Conrado conta que de posse dessas informações obtidas e a confissão da suspeita Edelvânia Wirganovicz a Polícia Civil fez contato com juiz Fernando Vieira dos Santos, de Frederico Westphalen, que determinou a prisão dos três suspeitos envolvidos (Graciele Uguline, Edelvânia Wirganovicz e Leandro Boldrini). “Um inspetor do município efetuou contato com Edelvânia, usando a desculpa de realizar a devolução do seu veículo, Fiat/Siena, que tinha sido apreendido. Ao chegar na Delegacia de Polícia acabou presa. A delegada Cristiane de Moura e Silva Braucks fez novo interrogatório mostrando as novas provas e informando que Graciela estaria presa. Diante das evidências que desconstruíam as suas versões a assistente social confessou o crime. Ela pela primeira vez chorou e nos levou até o Lajeado do Mico, no interior de Frederico Westphalen, onde foi localizado o corpo do menino”, salienta.

Localização do corpo de Bernardo

O inspetor Luciano Dornelles conta detalhes da descoberta do corpo de Bernardo Boldrini, no dia 14 de abril. “Depois de todas as evidências apontadas e a confissão de participação no crime, Edelvânia levou a polícia até o local onde foi enterrado o corpo do garoto de 11 anos. O local fica a 20 km da casa da assistente social. Para chegar na área a polícia teve que enfrentar um trajeto de 17 km, sendo parte dele constituído de estrada de chão de difícil acesso. Nós tínhamos dúvidas, no início, em encontrar o corpo, mas Edelvânia confirmava o local. Verificamos que o solo havia sido mexido e com facão iniciamos a procura. Utilizamos lanternas devido à escuridão. A assistente social saiu do local, levada pela delegada de polícia, e continuamos o trabalho. No decorrer do trabalho tiramos a terra e as pedras até chegar no corpo do menino, por volta das 20h30min”, diz.

Diante da dificuldade em continuar, os policiais civis acionaram os Bombeiros para a retirada do corpo. Conforme Dornelles, Bernardo estava em posição de decúbito dorsal parcialmente sentado e os pés dele estavam embaixo de raízes. “Ao mexermos no cadáver sentimos um odor diferente, fato que corrobora a versão da utilização de soda cáustica sobre o corpo. O menino estava nu e um saco cobria a cabeça e parte do tórax. Localizado o corpo tive um sentimento duplo: o do dever cumprido e o choque de ver o que fizeram com o garoto”, comenta.

Retorno da delegada com Edelvânia para Frederico Westphalen

O comissário Conrado, juntamente com a delegada Cristiane de Moura e Silva Braucks e uma colega, levaram Edelvânia para Frederico Westphalen. Durante a viagem de retorno para Frederico Westphalen Edelvânia relatou, informalmente, detalhes do crime. Ela contou que recebeu R$ 6 mil para ajudar no crime e que deveria receber mais R$ 21 mil. A assistente disse que Graciele teria afirmado que se tudo desse certo ela receberia um total de R$ 90 mil para quitar a compra de seu apartamento. Nesse momento contou que Graciele teria aplicado injeção letal no menino. Ela disse que foi administrado o medicamento no suco para o garoto, quando ficou sonolento. Depois o garoto foi conduzido ao local do crime onde se administrou uma injeção endovenosa no menino que se apagou lentamente.

A Edelvânia disse ainda que ela e Graciele jogaram soda cáustica e após colocaram pedras e terra sobre o corpo do garoto sem saber se o menino ainda tinha pulsação.

Por Cristiano Devicari

Fonte: Jornal das Missões

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