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Caminhada marca 60 anos do Movimento Apaeano no Brasil

Em Santo Ângelo, Escola Raio de Sol (Apae) atende 300 alunos

28 de Agosto de 2014 às 08:03
Caminhada marca 60 anos do Movimento Apaeano no Brasil
Caminhada percorreu o centro da cidade e envolveu estudantes, colaboradores e familiares (Fotos: Tiarajú Goldschmidt/JM)

Os 60 anos do Movimento Apaeano no Brasil e os 43 anos em Santo Ângelo foram lembrados durante caminhada pelo centro da cidade na tarde desta quarta-feira (27). Estudantes da Escola Raio de Sol (Apae), familiares, colaboradores e apoiadores desfilaram pelas principais ruas munidos de cartazes. A atividade fez parte da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, que começou no dia 21 e tem atividades até esta sexta-feira (29).

Em Santo Ângelo, mais de 300 alunos e seus familiares são beneficiados com o atendimento, que compreende o trabalho de 60 profissionais, entre os quais pedagogos, fonoaudiólogo, psicólogas, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, neurologista, psiquiatra, pediatra e outros. Além disso, a instituição possui convênio com a Unimed para exames, área protegida e recebe 10 consultas por mês com especialistas. Ainda atua na instituição um traumatologista de forma voluntária. Além disso, uma série de exames especializados é realizada na própria instituição, como eletroencefalografia digital, audiometria, impedanciometria e bera (potencial evocado).

“A Apae é mantida por vários convênios e vendas de serviços, mas o apoio da comunidade é o carro-chefe das receitas da instituição”, destaca a gerente administrativa Janira Couto Mânica, ao ressaltar que grande parte dos recursos é oriunda do programa Rugido do Bem, em que pessoas físicas e jurídicas destinam parte do Imposto de Renda para entidades assistenciais – caso da Apae. “Isso se dá pela credibilidade que conquistamos”, justifica Janira.

ESTABILIDADE FINANCEIRA
Perguntada sobre a realidade financeira da Apae, Janira diz que, graças ao apoio da comunidade, a entidade está estabilizada. “Temos 53 funcionários contratados pela Apae e sete cedidos (dois da Prefeitura de Santo Ângelo, um de Entre-Ijuís e quatro do governo do Estado), todos pedagogos”, ressalta ela. Apenas a diretoria é composta por voluntários.

As famílias não precisam pagar para inserir os filhos na Apae, que recebe pessoas de todas as idades. Porém, há uma contribuição voluntária para ser sócio, que pode ser de qualquer valor. Na presidência da Apae está Adão Lago Pinto, com Jairo Fernandes de vice. Janira Couto Mânica é gerente administrativa, e Angela Rodrigues Colla de Almeida é diretora pedagógica. A instituição funciona em Santo Ângelo desde 15 de novembro de 1971.

ESCOLAS ESPECIAIS
Janira Mânica comemora a reversão de uma polêmica que ocorreu no ano passado, em que trechos do Plano Nacional de Educação eliminavam a necessidade de pessoas com deficiência estudarem em escolas especiais. “Na meta 4, dizia que as escolas deviam incluir o aluno, o que eliminava as escolas especiais, e a meta 20 falava que o governo só financiaria escolas públicas. O Plano estava em votação e foi modificado após uma luta das Apaes e o apoio de um grupo de senadores que trabalhou do nosso lado”, lembra Janira.

COM ORGULHO DE ESTUDAR NA APAE
Mais de 300 pessoas com deficiência intelectual, múltipla ou espectro do autismo frequentam a Apae. Porém, o número de pessoas com deficiência é muito maior em Santo Ângelo: 15,5% da população possui algum tipo de deficiência no município, segundo o último Censo, o que equivaleria a aproximadamente 12 mil pessoas.

Um dos frequentadores mais antigos da Apae é filho de Janira. Sérgio Luiz Mânica, de 52 anos, está há 38 na Escola Raio de Sol e foi um dos cinco primeiros alunos. Ele atua no grupo de apoio à cozinha, fazendo atividades como escolher feijão e cortar temperos. “É muito bom na Apae”, diz Sérgio, que entrou com 14 anos na instituição.

Dalva Limana, de 43 anos, frequenta desde pequena a instituição. “No início minha mãe me levava, e depois de um tempo passei a ir sozinha”, lembra Dalva, que diz gostar de música gaúcha e em especial do conjunto Os Peixotos. Ela integra o grupo do projeto Conviver, em que os estudantes aprendem a se virar sozinhos e são preparados para tomar banho, cuidar de seu quarto, entre outras atividades. “Aprendi a tomar mate, dançar, caminhar, fazer cartões”, orgulha-se.

Outra que auxilia na cozinha é Simone Antunes, de 26 anos. A jovem frequenta desde bebê a Apae, e hoje auxilia na pré-preparação da merenda da escola. José dos Santos, 46 anos, que também já trabalhou na cozinha, diz que se orgulha de frequentar a escola e ter bons colegas.

PROGRAMAÇÃO
Integrando a programação da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, nesta quinta-feira haverá o 5º Fórum dos alunos da Escola de Educação Especial Raio de Sol (Apae). O tema será “O trabalho como forma de inclusão social”, e as facilitadoras serão a coordenadora dos autodefensores do 22º Conselho das Apaes/RS, Stela Maris Kerber de Marco, e a assistente social Juliana Baumgarten Kochen. A palestra será no auditório da escola, com início às 8h30min, e envolverá alunos e ex-alunos incluídos no mercado de trabalho.

Na sexta-feira (29), das 8h às 12h e das 13h às 17h15min, é a vez do I Seminário Autismo e Possibilidades. Os temas serão transtorno do espectro autista; autismo (histórico, definição, características, diagnóstico); identificação precoce dos transtornos do autismo; aprendizagem e autismo (autismo e estilos de aprendizagem); a importância do envolvimento da família no trabalho com autistas; estratégica de intervenção psicoeducativa em transtorno do espectro autista. O palestrante será o dr. Carlos Schmidt, que é psicólogo, especialista em Psicologia Hospitalar, mestre e doutor em Psicologia, professor e chefe do Departamento de Educação Especial da UFSM.

Fotos vinculadas

Simone Antunes, Dalva Limana, Sérgio Luiz Mânica e José dos Santos falam do orgulho de frequentar a Escola Raio de Sol

Por Tiarajú Goldschmidt (tiaraju@jornaldasmissoes.com.br)

Fonte: Jornal das Missões

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