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Com dívida de R$ 211 milhões e patrimônio de R$ 58 milhões, Cotrisa buscará plano de recuperação

Primeiro balanço após entrar em autoliquidação foi apresentado aos associados pelos liquidantes

30 de Agosto de 2014 às 08:09
Com dívida de R$ 211 milhões e patrimônio de R$ 58 milhões, Cotrisa buscará plano de recuperação
Mesa foi composta pelos liquidantes Julio Cesar Dias e Valdir Lima, pelo coordenador do Conselho Fiscal Paulo Spies, pelo assessor jurídico João Santos, pelo auditor externo Ermínio Machado e pelo secretário da assembleia (eleito no ato) Vander Moreira

A dívida da Cotrisa em 5 de junho de 2014, data em que foi declarada em autoliquidação, era de R$ 211.803.844,01, o equivalente a 3.258.521 sacos de soja, com os preços praticados naquele dia, ao valor de R$ 65. Já o patrimônio da cooperativa é de R$ 58.655.466,42. Esses foram alguns dos dados apresentados em assembleia geral ordinária, na tarde desta sexta-feira (29), em que foi apresentado o primeiro balanço após a declaração de autoliquidação.

Na assembleia, em que participaram aproximadamente 80 associados, os liquidantes (espécie de gestores) Valdir da Silva Lima e Julio Cesar Terra Dias esmiuçaram os ativos e passivos que Cotrisa possui, e apresentaram também uma evolução da dívida desde os anos 1980, dividindo por períodos da presidência. Inicialmente, compunha o quadro de liquidantes o ex-presidente Roberto Haas, porém ele foi afastado pelo conflito de interesses.

“Na situação de autoliquidação com continuidade dos negócios, em que a Cotrisa se encontra, são suspensas todas as execuções de cobrança. A cooperativa perderia patrimônio que iria para leilão, para pagar dívidas”, explica Valdir da Silva Lima, contador da Cotrisa que assumiu a função de liquidante.

AUTOLIQUIDAÇÃO
Lima ressalta que, em junho, a direção e o conselho administrativo foram destituídos e foram escolhidos os liquidantes e o conselho fiscal. Assim, são essas pessoas que hoje fazem a gestão da Cotrisa, na tentativa de montar um diagnóstico da real situação econômica da cooperativa e elaborar um plano de viabilidade de recuperação.

“Primeiro apuramos a dívida da cooperativa, os seus ativos e passivos. Agora estamos levantando o quadro geral de credores, que publicaremos na imprensa nas próximas semanas, mas os negócios da Cotrisa continuam funcionando. Ela segue operando e prestando serviços”, explica Lima. “Com a autoliquidação, nós podemos salvar o patrimônio e montar um plano de recuperação.” O prazo para permanecer nessa situação é de um ano, prorrogável por mais um.

O liquidante explica que a preferência de pagamento da dívida é para ações trabalhistas, depois fiscais e hipotecas, e por fim as quirografárias, ou seja, as que não possuem garantias. “Nossa ideia é buscar investidores, desfazer entrega de unidades cuja negociação não teve o aval do conselho, e assim melhorar o patrimônio, e negociar com credores sem garantias um desconto no valor da dívida. Assim, buscaremos equilibrar o valor das dívidas com o valor do patrimônio”, diz Lima.

Um dos negócios criticados pelo liquidante, e que teve bastante destaque pelo seu companheiro Julio Terra Dias na assembleia, é a entrega do Parque Industrial da Cotrisa para uma empresa de Minas Gerais em troca do pagamento de parte de uma dívida. Segundo os liquidantes, o Parque Industrial, com seus equipamentos, é avaliado em aproximadamente R$ 30 milhões. Conforme apresentado na assembleia, a área foi entregue por R$ 10 milhões para a empresa em junho, poucos dias antes da declaração de autoliquidação, e sem a aprovação do Conselho Administrativo.

“A Cotrisa está assim por má gestão, por negócios malfeitos. E a dívida se agravou muito na última gestão”, resume Valdir da Silva Lima. Somente na gestão de Roberto Haas, de 2003 a 2014, conforme os dados apresentados, a dívida evoluiu R$ 164.998.706,04, ou o equivalente a 2.538.442 sacos de soja.

Com a recuperação do Parque Industrial, estima o gestor da Cotrisa, o patrimônio da cooperativa deve subir de R$ 58 milhões para mais de R$ 80 milhões. “Com esse patrimônio, e renegociando as dívidas, acreditamos que podemos equipará-las”, diz.

SERVIÇOS
A Cotrisa segue operando no Parque Industrial, enquanto não há definição sobre seu futuro. Lá funciona o centro administrativo, a unidade de recebimento de grãos, a fábrica de ração, armazém e estoque de insumos, e também o estoque de supermercados. A cooperativa possui armazéns arrendados para a Camera, e outros armazéns operados pela Cotrisa, em Entre-Ijuís, Guarani das Missões, São Pedro do Butiá, Roque Gonzales e São Paulo das Missões. Também possui supermercados em Santo Ângelo (dois), Guarani das Missões, Cerro Largo, São Pedro do Butiá, Entre-Ijuís, São Paulo das Missões, Roque Gonzales, Eugênio de Castro, São Miguel das Missões, Caibaté e Mato Queimado.

Fotos vinculadas

Liquidante Valdir da Silva 
Lima é contador da Cotrisa, 
em que atua há 33 anos Liquidante Julio Terra Dias é associado há mais de 30 anos e conselheiro da Cotrisa há mais de 20 Cerca de 80 associados participaram da assembleia, em que foi apresentada a situação atual da cooperativa

Por Tiarajú Goldschmidt (tiaraju@jornaldasmissoes.com.br)

Fonte: Jornal das Missões

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