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Bioconstrução: casas são construídas com barro e reutilização de materiais

Casa biossustentável é construída no câmpus da UFFS de Cerro Largo

04 de Novembro de 2014 às 08:00
Bioconstrução: casas são construídas com barro e reutilização de materiais
Para a estrutura, foram utilizados postes antigos de luz, taquaras, pallets, janelas velhas e vidros, para a luminosidade (Foto: Divulgação)

Com o objetivo de realizar um intercâmbio cultural entre as atividades escolares e o resgate dos valores da cultura, o Programa Escolas Interculturais de Fronteira (Peif) da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) de Cerro Largo realizou uma oficina de bioconstrução. A atividade, coordenada pela professora Bedati Finokiet, contou com a orientação do espanhol José Laso Flores, do italiano Antonio Graziano, da uruguaia Marcia Semilla – todos ecoativistas residentes em Paysandú, no Uruguai – e da espanhola Isabel Areales, também ecoativista, residente em seu país natal, além dos professores do Peif que atuam na UFFS de Cerro Largo.

O trabalho de construção foi iniciado no dia 14 de outubro e se estendeu por duas semanas. O acabamento será feito a partir de 15 de novembro. A professora Leonira de Oliveira Ferreira foi uma das participantes do processo, que teve como objetivo mostrar como era possível realizar a construção de casas sustentáveis, por meio de uma técnica de trabalho antiga que tem base no barro, a partir da reutilização de vários materiais que são descartados. “É uma técnica primitiva. Contamos também, na oficina, com a presença de índios guaranis de São Miguel das Missões, que mostraram a técnica de construção aplicada por eles com barro e taquaras”, comenta a professora.

MÃOS À OBRA
A oficina teve como premissa colocar as mãos à obra. A técnica, ao mesmo tempo em que os mentores explicavam a teoria, já era colocada em prática pelos participantes com a construção de uma casa biossustentável no terreno da universidade federal. Essa casa ficará à mostra para que toda a comunidade possa visitar.

A casa, que tem durabilidade de 150 anos, segundo Leonira, tem propriedades terapêuticas para pessoas que sofrem com alergias como rinite, por exemplo, pois ela mantém uma temperatura e umidade diferenciada em função do barro. “Foi um trabalho muito interessante. Sou uma pessoa realizada por ter participado dessa construção, que funciona em regime de mutirão. Ficou um espaço muito bonito e feito a partir de materiais encontrados na natureza”, explica.

A busca pela construção sustentável
O material principal da construção é o barro. Ele é coletado na comunidade onde a casa será construída. É preciso ser uma terra limpa, que não pode ter lixo ou pedras. Após, é preparada uma caixa, como a de mistura de cimento, na qual são colocados o barro e a água. “A partir daí, o processo para transformar o barro em uma pasta é quase terapêutico. Pisoteamos o barro com água até deixá-lo bem homogêneo, sem nenhuma bolinha de terra”, conta Leonira.

Depois de feita essa pasta, é misturada uma espécie de palha seca, disponível na região em que se está construindo. No caso da região, foi utilizado o feno. “Pegamos essa mistura e a estrutura de madeira feita com restos de postes, madeiras, para montarmos a casa”, explica. Primeiramente, foi feito um alicerce da obra com concreto, porém pode ser feito com chão batido, pallets ou outro recurso. Após, foi realizada a construção de toda a estrutura, a partir dos pallets e da pasta de barro com feno. Garrafas de vidro, pratos de vidro antigo e mesmo tocos de madeira foram utilizados entre a estrutura, para dar luminosidade ao ambiente.

“Nas paredes, utilizamos pallets e, entre os espaços, íamos preenchendo com a pasta de terra e feno. Compramos da indústria apenas os caibos de cima. O restante foi feito com material reutilizado”, diz. As telhas da casa sustentável foram doadas por uma família do interior de Cerro Largo e toda a construção foi feita em regime de mutirão entre professore e bolsistas da universidade.
Os móveis da casa também foram feitos a partir de materiais encontrados na natureza, como troncos de árvores e taquaras, além de materiais descartados, como garrafas pet, pneus, pallets e mesmo vidros descartados.

CURSOS
Leonira explica que todas as pessoas que participaram do processo de construção estão aptas para reproduzi-lo em outras localidades. “Me sinto habilitada para isso”, diz. Porém, por enquanto, não há previsão de cursos promovidos sobre a temática. “Mas há a possibilidade de trazermos essa técnica para Santo Ângelo. Até seria bem interessante termos isso na cidade e colocarmos na rota turística”, afirma.

A casa está aberta à visitação do público no terreno da UFFS de Cerro Largo. A iniciativa foi do Programa Escolas Interculturais de Fronteira, que tem por objetivo a realização de projetos de aprendizagem como um possível caminho para as escolas interculturais multilíngues.  

Fotos vinculadas

Por Talita Mazzola (talita@jornaldasmissoes.com.br)

Fonte: Jornal das Missões

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