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HCI pode suspender serviços eletivos pelo SUS

Falta de repasse de recursos pode suspender atendimento para mais de 1,5 milhão de pessoas

22 de Janeiro de 2015 às 06:15
HCI pode suspender serviços eletivos pelo SUS
Cláudio Matte Martins, presidente do Hospital de Caridade de Ijuí (Foto: HCI/Divulgação)

O Hospital de Caridade de Ijuí (HCI) poderá reduzir os serviços eletivos prestados via Sistema Único de Saúde (SUS). A informação foi confirmada pelo presidente do HCI, Cláudio Matte Martins, em entrevista ao programa Rádio Visão, da Rádio Santo Ângelo, ontem (21).

“No momento, estamos discutindo essa situação. Tudo vai depender do que o governo repassar ao hospital. Há um atraso de repasse aos hospitais e estamos trabalhando junto com a confederação para tomarmos uma atitude. Como está não dá para continuar”, indigna-se o presidente.

Ele ressalta que os hospitais estão sendo prejudicados e tendo de procurar instituições financeiras para buscar recursos e fazer frente à folha de pagamento. “Isso é um absurdo, tanto que o hospital tem hoje para receber, de prestação de serviços e incentivos, R$ 13 milhões”, conta. Cláudio acrescenta ainda, que se o tratamento recebido pelos hospitais continuar, “com certeza serão suspensos os atendimentos eletivos”. O último aporte financeiro do Estado foi repassado em novembro, sendo que para o pagamento da folha de dezembro foi necessário que a administração buscasse recursos em instituições bancárias.

O fato de o HCI ser um hospital referência regional, especialmente no atendimento de alta complexidade, com o Cacon (Centro de Alta Complexidade em Oncologia) e o Instituto do Coração, preocupa a população. Hoje, o Hospital de Caridade de Ijuí atende cerca de 1,5 milhão de pessoas de Ijuí e região.

REGIÃO AFETADA
O presidente explica que o corte será feito apenas nos atendimentos eletivos, sendo que urgência e emergência se mantêm. Sendo assim, se os pacientes da região precisarem fazer alguma consulta ou procedimentos que não são considerados de risco, poderão ter o atendimento suspenso até o repasse dos recursos pelo governo do Estado. “Não podemos correr o risco de prejudicar ninguém. A urgência e emergência serão atendidas”, comenta.

Ele não soube precisar o número de pessoas do município de Santo Ângelo e arredores atendidas pelo HCI, mas frisou ser um número relevante, especialmente em função do Cacon e do Instituto do Coração.

MAIOR DEMANDA DE ATENDIMENTO
Hoje o Hospital de Caridade de Ijuí possui maior atendimento na área da alta complexidade do Cacon, Instituto do Coração e hemodiálise. Essas são áreas determinantes e que necessitam do atendimento, mas, para isso funcionar, é preciso do repasse, tendo em vista o pagamento dos fornecedores e funcionários. “Precisa haver uma determinação. O governo precisa determinar um calendário de pagamento de todos esses recursos que faltam para o hospital”, conclui.

O QUE O ATRASO REPRESENTA
Matte Martins comenta que os hospitais precisam fazer frente aos funcionários, médicos, fornecedores e manutenção, o que é muito difícil sem o repasse. “O hospital tem um atendimento na área do Cacon, principalmente, de mais de 1 milhão de pessoas, e isso representa uma responsabilidade muito grande, pois prestamos um serviço e quem tem o dever de pagar isso é o Estado e a União. Porém, eles não estão cumprindo com as suas obrigações”, relata. O atendimento na área do Cacon e do Instituto do Coração chega a ser de 90% por usuários do SUS.

Ele comenta ainda que o HCI fará o máximo para continuar atendendo, no entanto, se não houver resposta ou o pagamento não for feito, uma atitude drástica será tomada via Ministério Público. “Já estamos com nosso jurídico trabalhando nisso. Faremos uma visita à Promotoria e vamos explicar o caso. Da maneira como está não tem condições de continuar”, diz. O administrativo do HCI já vinha alertando sobre a situação há mais de dez meses. “Alertávamos que iria ocorrer esse calote e ocorreu. Não nos pagaram quando trocou de governo, estamos em uma transição e precisamos que isso seja resolvido, pois a saúde não pode parar”, frisa.

Hoje, o debate sobre o repasse do governo do Estado é feito também por intermédio da Coordenadoria de Saúde, no entanto, apesar de os novos coordenadores já terem sido nomeados, ainda não assumiram o cargo, o que representa um atraso ainda maior e dificulta a atual situação. 

Por Talita Mazzola (talita@jornaldasmissoes.com.br)

Fonte: Jornal das Missões

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