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São Nicolau prepara o XII Café de Cambona
10 de Abril de 2015 às 06:40
São Nicolau prepara o XII Café de Cambona
Café de Cambona acontece em maio. Fotos: Prefeitura de São Nicolau/Divulgação

O vento corta a coxilha, anunciado a chegada do outono, elevando o sonho de querência a querência no coração do Rio Grande do Sul. Na região das Missões, um município se prepara para viver mais um grande momento: de hospitalidade e integração, ao redor do fogo de chão e no calor de uma amizade, que se perpetua no sorriso, no mate de mão em mão, e no café de cambona servido com bolo frito, de diferentes tamanhos e sabores.

O município de São Nicolau, a Primeira Querência do Rio Grande, te espera no dia 31 de maio, quando da edição do XII Café de Cambona. Nesse dia a hospitalidade, a criatividade e a qualidade valem pontos, pois haverá premiação para o melhor bolo frito, o melhor estande, shows artísticos. Café e bolo fritosão servidos à vontade para os visitantes, que podem votar no final da degustação no atendimento preferido e no melhor sabor. Ainda, uma ampla grade de atrações culturais faz parte da programação, que se estende durante todo o dia.

De acordo com a secretária de Turismo de São Nicolau, Ana Paula Alvarenga, em 2014 o Café de Cambona recebeu mais de 25 mil visitantes. E, em 2015 espera repetir o sucesso alcançado na edição em anos anteriores.

O prefeito Benone Dias destaca que a integração é outro diferencial deste evento, que é aberto a visitação pública, sem cobrança de ingresso. Os alimentos postos à degustação também não tem custo algum. Com isso, o município fortalece um dos seus maiores pontos positivos, que é o turismo.

CONHEÇA MAIS

A história de São Nicolau remonta há mais de quatro séculos. Neste município foi rezada a primeira missa em solo missioneiro. Documentos revelam que São Nicolau do Piratini foi a primeira redução guarani fundada em solo brasileiro, em 03 de maio de 1626. Porém, 12 anos mais tarde, em função da invasão dos bandeirantes, os índios migraram para o outro extremo do rio Uruguai, fixando-se em apostoles.

No segundo ciclo da Missão da Companhia de Jesus na América, quando da fundação dos Sete Povos, São Nicolau voltaria a ser fundado enquanto redução jesuítico guarani, desta vez em 1687. Povo de elevado índice de desenvolvimento cultural, essa redução destacou-se na religião, música, cantos, dança teatro, desenhos, pinturas e esculturas. Também, em 1691, sediou uma fábrica de telhas de barro, que se utilizavam das coxas dos índios como molde para produzí-las.

Com a Guerra Guaranítica que envolveu toda a missão, os povoados missioneiros foram praticamente exterminados, saqueados pelos portugueses, índios e aldeias esquecidos. Porém, em meio à mata nativa, as pedras do que fora parte daquela civilização sobreviveram ao tempo, e restam resguardadas em um sítio arqueológico protegido pelo Iphan. O local é um museu a céu aberto, aonde restam intactas as paredes de um antigo cabildo, além das fundações da antiga redução, a adega jesuítica, o traçado da praça, e peças da estatuária guaraní que estão disponíveis para apreciação pública.

O Café de Cambona é realizado nas proximidades do Sítio Arqueológico de São Nicolau, e oferece uma ótima oportunidade, também, de visitação a este local.

CAFÉ DE CAMBONA, O QUE É?

O café de cambona foi introduzido no Rio Grande do Sul pelos tropeiros e carreteiros, no século XIX. As cambonas ofereciam maior praticidade para quem viajava longos percursos e não poderia carregar muita bagagem nas malas de garupa. Feito no fogo de chão, segue o seguinte ritual:
-Coloque a água para ferver na cambona, em um fogo de chão
-Depois de fervida, largue o pó de café na água
-Quando o café estiver fervendo pegue um tição do fogo de chão e o mergulhe dentro do café, para assentar a borra.
-Depois é só tirar a espuma que ficou por cima e está pronto para servir.

 

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Fonte: Edna Lautert

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