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Santo-angelense que trabalhava no Costa Concordia conta como era a rotina no navio

Rafaela Kemper Ribeiro trabalhou com o capitão Francesco Schettino

24 de Janeiro de 2012 às 18:02
Santo-angelense que trabalhava no Costa Concordia conta como era a rotina no navio
Rafaela (ao centro, abaixada) com parte da equipe que trabalhava no Costa Concordia

A santo-angelense Rafaela Kemper Ribeiro, 24 anos, filha da empresária Ana e do médico Clécio, trabalhava no navio Costa Concordia, que tombou após encalhar na ilha da Isola del Giglio, na Itália, na noite da última sexta-feira (13). No entanto, há dois meses, ela desembarcou, após o termino de seu contrato com a empresa Costa Cruzeiros e não estava fazendo o Cruzeiro que levava mais de 4 mil pessoas, sendo que destas, 16 já foram encontradas mortas.

Rafaela trabalhava como Cocktail Waitress (garçonete de bar). Ela embarcou no Costa Concordia no dia 6 de abril, em Savona, na Itália, e navegou com ele até o dia 7 de novembro de 2011. Nos últimos dois meses de seu contrato, trabalhou com o capitão Francesco Schettino, que está em prisão domiciliar, acusado de cometer manobra imprudente. “Ele sempre foi muito fechado. Conversava pouco com os tripulantes (funcionários do navio). Era diferente de outros capitães que te cumprimentavam e até conversavam quando passavam por você”, afirma.

A santo-angelense conta que no navio, eram 1,1 mil tripulantes e 3,7 mil passageiros. “Trabalhávamos 11 horas por dia. Só podíamos descansar se o navio atracasse em algum porto e estivéssemos de folga. Isso acontecia durante o dia, porque quase todas as noites o navio andava pelo mar”, conta.

Ela conta que os cruzeiros são muito seguros. Toda a semana os passageiros e a tripulação são convidados a fazer exercícios de emergência geral, que seria uma simulação de um caso de naufrágio. “Os brasileiros e argentinos quase não fazem esses exercícios. Os europeus, por serem mais preocupados com a segurança, são os que mais participam”, fala.

Rafaela lembra que a única situação de emergência que vivenciara enquanto esteve no Costa Concordia, foi de um passageiro russo que caiu no mar, no meio da noite, entre Savona e Barcelona. “Ele era segurança de uma milionária russa que estava no navio. Até hoje o corpo dele não foi localizado e nunca ficamos sabendo se ele se jogou ao mar ou se foi jogado, pela varanda da cabine onde dormia”, destaca.

Esta foi a segunda vez que a jovem fechou contrato com a empresa Costa Cruzeiros da Itália. A primeira vez foi em julho de 2009, após ver um anúncio no jornal Zero Hora, sobre uma agência de São Paulo que estava selecionando brasileiros para as empresas de cruzeiro. Após demonstrar interesse, comprovou que possuía experiência em bar e que sabia falar inglês. Foi contratada e passou a receber, em média, € 1,3 mil euros por mês (quase R$ 3 mil por mês).

Rafaela já foi convidada para fechar um novo contrato, que entraria em vigor no próximo dia 26 de março, mas por motivos pessoais, informou que só deseja voltar ao trabalho de garçonete de bar de navio em 2013.

Uma das amigas que Rafaela fez enquanto esteve no navio, foi a peruana Erika, que ainda está desaparecida.
 

 

 

Fotos vinculadas

Navio Costa Concordia tombou após encalhar na ilha da Isola del Giglio, na Itália Rafaela trabalhou com o capitão Francesco Schettino, acusado de provocar a tragédia Rafaela (D) com a peruana Erika, a amiga que ainda está desaparecida Rafaela com alguns brasileiros que trabalhavam no navio

Por Odair Kotowski (odair@jornaldasmissoes.com.br)

Fonte: Jornal das Missões

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