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Polícia Federal prende acusado de abuso sexual contra crianças e adolescentes

Instrutor de tênis, de 23 anos, aliciava as vítimas e captava imagens pela internet

09 de Outubro de 2014 às 08:20
Polícia Federal prende  acusado de abuso sexual  contra crianças e adolescentes
Demonstrando serenidade, acusado lia na cela da Polícia Federal (Foto: Estevan Minini/JM)

A Polícia Federal (PF) cumpriu ontem (8) mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão decretados pela Justiça Federal (PF) contra um morador de Santo Ângelo, identificado como autor de crimes sexuais contra crianças e adolescentes. As investigações foram iniciadas por denúncia partida de mães de um grupo de meninos de 11 anos que procuraram a PF, em Santo Ângelo, depois de perceber que seus filhos estariam sendo vítimas de assédio sexual via internet.

A INVESTIGAÇÃO
A investigação foi motivada por denúncia do grupo de mães. Com a utilização de programas de bate-papo e redes sociais, o investigado, de 23 anos, mantinha diálogos de conteúdo impróprio com suas vítimas e, por meio de câmera acoplada ao computador de seus interlocutores, captava cenas de exibição explícita de crianças e adolescentes. Perícia técnica nos equipamentos eletrônicos, apreendidos no dormitório e na casa do criminoso, recuperaram arquivos apagados que continham as cenas de pedofilia.

Fazendo uso de perfis falsos, que facilitavam o convencimento da vítima e algumas vezes de sua própria identidade, aproveitando-se da condição de proximidade e confiança gerada pelo seu exercício profissional, o investigado obtinha imagens em que adolescentes mostravam suas genitálias. Após obter o material, via programa de bate-papo com uso de vídeo, o criminoso armazenava as imagens envolvendo diversos meninos entre 11 e 16 anos em situações pornográficas, até mesmo em duplas.

“Inicialmente, eram três crianças e um perfil falso em comum na internet. Depois, com o desenrolar das investigações, descobrimos que eram várias vítimas, que este cidadão é um professor de tênis aqui da cidade, de 23 anos, e que utilizava a internet como meio. Mas ele também tinha bastante convivência com algumas vítimas da internet e convivência pessoal também”, informou a delegada da Polícia Federal Gabriela Madrid Aquino Trolle.

De acordo com a delegada, o acusado convencia a vítima a se expor via computador e captava essas imagens. “Ele acabava, de certa forma, violando essas vítimas, que mais tarde, vendo que haviam caído em uma cilada, ficavam com receio de que este material caísse em domínio público”, disse.

A delegada informou ainda que o perfil do denunciado dificilmente levantaria suspeitas. “A princípio, é um rapaz acima de qualquer suspeita, inserido na sociedade. Mas, depois, pudemos perceber que ele já tinha um comportamento de certa forma desviado. Ele tinha preferência pela companhia de crianças de 11 a 16 anos. Promovia churrascos, convidava as crianças e adolescentes para jogar videogame na casa dele, dava presentes. Ele realmente cativava a atenção destes meninos”, salientou.

O acusado, que não tem passagens pela polícia, foi preso na Estação Rodoviária de Santo Ângelo, quando retornava de viagem a Porto Alegre. Segundo a delegada, todas as vítimas eram meninos e, preferencialmente, alunos. “Pelo que pude perceber, ele desenvolvia mais as conversas com aquelas vítimas que ele conhecia pessoalmente, mas também tem meninos que são do convívio remoto. Ele utilizava o contato com alguns meninos para chegar a outros, acessando a vulnerabilidade para chegar a essa exposição pornográfica”, mencionou a delegada.

PF ALERTA PAIS E RESPONSÁVEIS
A Polícia Federal orienta pais e responsáveis legais para que fiscalizem e acompanhem atentamente o conteúdo de postagens, trocas de mensagens, interações virtuais, uso de aplicativos e qualquer utilização por menores de aparelhos eletrônicos que acessam a internet, uma vez que os criminosos estão atentos à vulnerabilidade causada pela falta de vigilância dos responsáveis. A PF argumenta que uma eventual exposição indevida causa efeitos permanentes porque, uma vez postadas ou transmitidas, as imagens saem do controle de seu emissor e caem em domínio público. “Portanto, a vigilância constante é a única forma de prevenção”, recomenda a delegada. 

Por Estevan Minini (estevan@jornaldasmissoes.com.br)

Fonte: Jornal das Missões

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