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Esposa confessa ser autora da morte de agricultor

Mulher de 45 anos foi presa temporariamente pela Polícia Civil

13 de Dezembro de 2014 às 00:05
Esposa confessa ser autora da morte de agricultor
Vizinhos, familiares e amigos estiveram no local onde a sacola com a ossada foi encontrada, no Rincão dos Mendes (Foto: Estevan Minini/JM)

A esposa, de 45 anos, do agricultor Ademir Steinhaus, 48, foi presa na manhã de quinta-feira (11) pela Polícia Civil após admitir ter matado seu marido com uma machadada no pescoço e ateado fogo no corpo para esconder os vestígios. Conforme o delegado Rogério Junges, que acompanha o desfecho do caso desde o dia em que partes de ossada humana foram encontradas no fundo da propriedade dos Steinhaus, no Rincão dos Mendes, interior de Santo Ângelo, foi expedido um mandado de prisão da mulher ainda na quarta-feira, dia em que a ossada foi encontrada.

“Expedimos um mandado de prisão temporária para ela na quarta, mas ele só ficou pronto na quinta-feira pela manhã, quando fomos até a propriedade, dando voz de prisão”, afirma. Ele ressalta ainda que o mandado é válido por 30 dias, enquanto a Polícia Civil continua a investigação sobre o caso. “A confissão da esposa não é suficiente para encerarmos o caso. Precisamos antes averiguar se o resultado da perícia baterá com o depoimento dado e se não há envolvimento de outra pessoa. Por enquanto, não descartamos nenhuma possibilidade”, diz.

ESQUARTEJAMENTO NÃO OCORREU
No depoimento dado à polícia, a mulher negou que tivesse cortado o corpo em partes. “Ela disse que simplesmente desferiu as machadadas e depois queimou o corpo, colocando o que sobrou em uma sacola plástica e levando até um buraco que havia cavado próximo à residência”, diz o chefe do setor de investigação da Polícia Civil, Carlos Reginaldo Conrado. Segundo a polícia, a mulher ressaltou ainda que, pelo fato de o buraco ser muito raso, decidiu retirar os restos do local e levar até o rio.

POSSÍVEIS DISTÚRBIOS PSICOLÓGICOS
Conforme o comissário Conrado, “tudo indica que a mulher seja psicologicamente perturbada. Ela depende de uma avaliação médica, mas, pelos depoimentos colhidos, demonstrou certa perturbação”. Ela se emocionou várias vezes durante o relato e disse estar arrependida.

O delegado Rogério Junges ressaltou que algumas pessoas que conviviam com o casal e com a mulher desde a infância confirmaram o relato de que ela, ainda jovem, com 8 anos, sofria com atos de violência vindos do pai.

As pessoas ouvidas pela polícia confirmaram ainda que a mulher enfrentava problemas emocionais, e que Ademir já havia manifestado desejo de sair de casa algumas vezes. “Há depoimentos que confirmam que ela dizia que Ademir sairia de casa, mas não do jeito como ele imaginava”, afirma Junges.

FILHO NÃO QUIS CONTATO COM A MÃE
O filho do casal, 16 anos, precisou ir até a delegacia na quinta-feira prestar alguns esclarecimentos. Ele, conforme Conrado, teve oportunidade de falar com a mãe, mas não quis. “Ele disse que não tinha condições de falar, que talvez nos próximos dias venha a conversar com a mãe”, relata.

O delegado Rogério Junges ressaltou, no entanto, que, apesar de triste com a situação, o jovem estava bastante sereno e acompanhou a polícia em todo o processo. Atualmente ele está na casa de parentes aguardando o desfecho do caso.

INGESTÃO DE VENENO
O comissário Carlos Conrado diz que a mulher não confirmou ter tentado suicídio. “Ela disse que foi lá no galpão, teria pegado veneno (defensivo agrícola) e misturado com água, tomando dois copos. No dia em que a prendemos, ela foi até a geladeira e mostrou um terceiro copo de veneno que ainda estava lá. Nós apreendemos o material para fazer perícia”, relata.

Na última quarta-feira (10), quando os restos mortais foram encontrados e a polícia foi acionada, a mulher relatou que havia saído de casa para esfriar a cabeça e, quando voltou, havia muita movimentação na propriedade, sendo que ela resolveu esperar que as pessoas fossem embora para ela retornar a casa. “Ela afirmou ter ido tomar um banho de rio para sentir-se melhor e que foi por isso que voltou molhada”, disse.

DEPOIMENTO
O depoimento da mulher de Ademir durou cerca de quatro horas. Ela relatou que tinha problemas no casamento e que o marido a agredia física e psicologicamente, motivo pelo qual cometeu o crime, conforme relata o comissário Carlos Reginaldo Conrado. “Segundo ela, o crime foi cometido com um machado. Ela teria desferido um golpe ou dois no pescoço da vítima”, diz ele.

Conrado diz ainda que, no depoimento, a esposa afirmou que o marido havia chegado em casa por volta das 12h30min do dia 3 de dezembro, almoçado e ido dormir, momento do qual ela se aproveitou para pegar o machado e desferir os golpes contra Ademir. “Ela não lembra se foi um ou mais golpes. Após isso, ela teria pegado o colchão, demais roupas e cobertores próximos e arrastado o corpo até a churrasqueira, onde colocou fogo nas coisas, corpo e também em um pneu”, conta.

Por Talita Mazzola (talita@jornaldasmissoes.com.br)

Fonte: Jornal das Missões

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