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Investimento em segurança aponta queda e crimes aumentam no Estado

Região de Santo Ângelo sofre com o corte de horas extras e efetivo reduzido

20 de Outubro de 2015 às 14:45
Investimento em segurança aponta  queda e crimes aumentam no Estado
Estado apresenta o quinto pior percentual de investimentos (Foto: Andrei Fucilini/Especial)

Enquanto a violência dispara no Rio Grande do Sul, o investimento em policiamento e inteligência segue na direção oposta. Números do 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que a destinação de verbas para o policiamento entre 2013 e 2014 caiu 11,4%, passando de R$ 357 milhões para R$ 316,4 milhões, respectivamente. Já a queda dos recursos para Inteligência foi de 4,8% de um ano para o outro. Em 2014, o Estado investiu neste setor R$ 40,2 milhões, R$ 2,1 milhões a menos do que em 2013. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo levantamento, considera policiamento e inteligência as áreas mais relevantes dentro da segurança pública.
De acordo com o delegado Cairo Abreu Ribeiro, responsável pela 13ª Delegacia Regional de Polícia de Santo Ângelo, na região, não houve uma redução brusca nos cortes de verbas. “Não temos os números de repasses que recebemos, mas sabemos do momento de dificuldade que o Estado está passando. Em determinados momentos tivemos algumas dificuldades, ocorreram momentos em que tiveram cortes das verbas de combustíveis, mas não foi tão significativo.”
Com relação ao Setor de Inteligência, o efetivo continua trabalhando e mantendo o serviço dentro do esperado em Santo Ângelo. “O Setor é fundamental para o bom desempenho das ações da polícia. Em termos de redução, na nossa região tivemos apenas o corte das horas extras”, destaca Cairo.

HOMICÍDIOS
Os índices de criminalidade apresentam variação na região. De acordo com o delegado titular da 13º DPR, em 2015 houve um aumento com relação aos crimes de homicídio. “Esse ano tivemos, por exemplo, um aumento do número de homicídios com relação aos anos anteriores. Os crimes desta natureza são de difícil prevenção, podem ocorrer em uma simples discussão de amigos.”
A maioria dos casos de homicídio estão atreladas ao tráfico de drogas e a facções criminosas. “São disputas entre grupos de criminosos. Um grupo quer eliminar os elementos que pertencem aos outros, até por questões que existem dentro do presídio, de divisões que surgem lá”, explica Cairo.
Na Capital do Estado, há uma situação de violência muito superior à média das capitais brasileiras. A taxa de homicídios disparou 23,2% entre 2013 e o ano passado. O índice saltou de 33 para 40,6 assassinatos por cem mil habitantes. No mesmo período, a média entre as 27 capitais ficou estagnada.

 

‘Nos anos 80 haviam mais policias civis do que na atualidade’

A falta de efetivo é histórica para as áreas da Segurança Pública. “Os efetivos de trabalhadores estão diminuindo nos últimos anos, como o da Polícia Civil. Nos anos 80 havia mais policiais do que hoje. A população aumentou em uma porcentagem muito grande e a polícia reduziu seu efetivo, então o trabalho fica dificultado. Nós vemos, da mesma forma, o efetivo da Brigada Militar que é quem faz o policiamento de prevenção nas ruas. É quase que natural que aconteça esse aumento de criminalidade”, declara Cairo Ribeiro.

CORTE DE HORAS EXTRAS
Neste ano ocorreu mais uma redução das horas extras na Polícia Civil, fator que prejudicou o trabalho da categoria. “Reduziu significativamente se comparado com o que a gente recebia em anos anteriores. Isso reflete em menos disponibilidade de servidores para fazer trabalho de horário de expediente”, explica o delegado.
No final do ano passado uma turma de policiais concursados foram nomeados e distribuídos pela região, no entanto, o número não foi o suficiente. “Nesse mesmo período está ocorrendo a aposentadoria de policiais, então o incremento já ficou defasado. Os dez que chegaram, já saíram por outra porta em um número, talvez, equivalente. Seria importante chamar mais uma turma aprovada para compor o efetivo”, complementa.

QUALIDADE DA SEGURANÇA PÚBLICA
A Polícia Civil trabalha com a apuração das informações penais. Com a defasagem dos investimentos e da contratação de pessoal, é necessário um certo jogo de cintura para manter a prestação de serviço estável. “Procuramos buscar formas de racionalizar e dinamizar os recursos humanos para buscar atender todas as demandas. As dificuldades aumentam com a redução de pessoal e o serviço aumentando, mas trabalhamos em prioridades, com os fatos mais graves e de repercussão, dando o atendimento mais ágil. Em algumas situações, infelizmente, não há condições de realizar o atendimento necessário”, lamenta.

DECLÍNIO DE INVESTIMENTOS
Se comparados os gastos na segurança pública com outras despesas de 2014, o Rio Grande do Sul é o quinto Estado com menor percentual destinado a esse setor: apenas 5,8%. Em 2013, o índice foi de 6,8%. Já o governo Federal gastou 0,5% em 2014, diante de 0,4% de 2013.
Os números do governo Federal também não são animadores. O investimento total da União em segurança pública foi de R$ 8,06 bilhões em 2014, ficando abaixo dos R$ 8,7 bilhões de 2013, dos R$ 8,8 bilhões de 2012 e dos R$ 8,2 bilhões de 2011. 

Fonte: Jornal das Missões

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