As heroínas farrapas

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Durante o deslocamento pelas avenidas da capital, escutava atentamente a entrevista da professora Carmeli Escher, diretora da Escola Estadual de Ensino Médio Madre Madalena, situada em São José do Inhacorá, pequeno município da região noroeste.

A escola obteve o melhor desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre as escolas públicas do nosso Estado que não fazem processo seletivo para ingresso no corpo de alunos, conforme dados divulgados pelo MEC sobre a avaliação de 2019.

Na entrevista, a professora da cidade de pouco mais de 2 mil habitantes, explicando os detalhes da rotina escolar, compartilhava o resultado positivo com toda a comunidade – professores, pais e alunos –, não escondendo o orgulho pela conquista do educandário inhacorense.

“Ele se torna, de fato, autor de sua história”, dizia a educadora sobre o processo pedagógico desenvolvido na escola. A frase, inevitavelmente, leva-nos até Paulo Freire: “pensar-se a si mesmos e ao mundo”. É a forma de ensino que destaca a importância de o aluno vivenciar a construção crítica do conhecimento.

A envergadura da nota 6,0 obtida pela escola Madre Madalena é dimensionada na comparação com a média das escolas da rede pública estadual de Porto Alegre, por exemplo, que foi de 3,9.

No Rio Grande do Sul, de um modo geral, o diagnóstico é de razoável melhora, na avaliação de 2017, a nota do ensino médio ficou em 3,7, agora, passou para 4,2 (2019), resultado ainda abaixo da média nacional (5,3).

Nenhum país do mundo solucionou seus problemas socioeconômicos sem um investimento qualificado em educação. E não há outra saída para o Brasil. Desse modo, é preciso encontrar o melhor caminho para equacionar as diferenças que temos no processo de aprendizagem brasileiro.

As grandes nações têm algo em comum: um alicerce feito de livros. As obras foram perfeitamente assentadas pelas mãos de valorizados professores. É na interação da sala de aula que as portas se abrem para as futuras gerações. O aluno empobrecido precisa enxergar na educação uma nova perspectiva de vida.

O caso da Madre Madalena merece ser comemorado nesta Semana Farroupilha sem roda de chimarrão, aliás, um ano muito difícil para alunos e professores que se obrigaram a remodelar o formato das aulas. A valente Carmeli e tantas outras professoras podem ser consideradas heroínas desses tempos difíceis para a educação pública.

 

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