Uma prescrição de beijos e abraços

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Nos corredores do supermercado, as pessoas usam luvas e máscaras. Os operadores de caixas ostentam capacetes cuja viseira de acrílico serve de proteção. Linhas no solo demarcam a distância entre os consumidores na fila. As pessoas entrecruzam-se nos corredores com olhares de desconfiança. É o coronavírus na capital dos gaúchos.

As escolas estão fechadas. Os alunos têm recebido tarefas para realizarem no ambiente doméstico. As incertezas são grandes para a população empobrecida, não há reservas à sobrevivência por longos meses de quarentena. O Estado social precisa cumprir o seu papel no período de crise. Os empresários também sofrem significativas perdas.

Esse negócio de pelejar contra o ar não é fácil. Quem diria que um bichinho quase invisível pudesse fazer a humanidade refletir sobre as suas prioridades. A palavra morte passou a fazer parte do nosso cotidiano. Os abraços e beijos estão suspensos sob a ameaça de genocídio viral.

O povo segue muito alvoroçado na estação desflorida. Há razão na preocupação, como dizem os cientistas, pouco se sabe sobre o vírus. As primeiras pesquisas ainda estão em fases preliminares. Não há vacina ou remédio para a cura. Nos EUA, maior potência econômica do planeta, os jornais noticiam o recorde diário em número de mortos.

Na quinta-feira, o mundo atingiu a marca de 1 milhão de infectados pela covid-19, mais de 50 mil perderam a vida. A OMS divulgou que apenas 40 países não possuem enfermos, em regra, pequenas ilhas da Oceania ou países de pouca transparência, como o Turcomenistão.

No Brasil, o distanciamento social é o caminho indicado para evitar o aumento exponencial da disseminação do vírus. Não se sabe ao certo o tamanho da tragédia brasileira. Estamos na casa das centenas de mortos. Itália e Espanha assombram o mundo com milhares de vítimas.

O casal festeja o casamento no facebook, a futura mamãe faz o chá de fraldas no site, as reuniões familiares em videoconferência, o condicionamento físico na ‘live’ do instagram, as sessões do Legislativo no computador, as audiências no whatsapp. O mundo virtual parece ser o real.

Tossir ou espirrar pode ser uma arma letal. O roteiro poderia ser um filme de ficção sobre pandemia. Ainda estamos na estação das folhas secas, logo as geadas vão descolorir o Rio Grande, o desabrochar da flor vem depois. Espero, porém, possamos receber em breve a prescrição médica com miligramas de beijos e abraços como dose de reforço para o restabelecimento do nosso convívio social.

 

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