Barbarismo, solecismo e ambiguidade

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Oito são os vícios de linguagem falada e escrita, cujos vícios, sempre que possível, devem ser evitados em grau máximo, pois barbarismo, solecismo, ambiguidade, cacófato, neologismo, arcaísmo, eco e pleonasmo vicioso em vez de embelezar o texto fônico e o texto gráfico enfeiam-nos. Hoje síntese de barbarismo, solecismo e embiguidade.

Barbarismo é grafia ou pronúncia de uma palavra em desacordo com a norma culta da linguagem. Um vício de barbarismo na grafia é dizer ou escrever previlégio e não privilégio. Outro é escrever excessão e não exceção, ítens e não itens, eles tem e não eles têm. Vícios de barbarismo na pronúncia [no dizer] é dizer ou escrever brica em vez de rubrica, dico em vez de pudico, míster em vez de mister, gratuíto em vez de gratuito.

Solecismo é desvio da norma culta em relação à sintaxe de regência nominal e verbal, de concordância nominal, verbal e pronominal e de colocação pronominal nos três casos: próclise, ênclise e mesóclise. Um vício de solecismo de regência nominal é dizer ou escrever e mais escrever do que dizer que todos devem ter amor a pátria em vez de todos devem ter amor à pátria e um de regência verbal é alguém dizer ou escrever obedecer os sinais de trânsito em vez de obedecer aos sinais de trânsito. Um de concordância nominal é, por exemplo, a mulher dizer ou escrever muito obrigado em vez de muito obrigada ou alguém dizer que João é o sentinela no quartel em vez de João é a sentinela no quartel. Um de concordância verbal é dizer ou escrever fazem oito meses de Covid-19 no Brasil em vez de faz oito meses. Um de concordância pronominal é dizer ou escrever ao juiz, quando em diálogo numa audiência formal, vossa senhoria em vez de vossa excelência. Um solecismo de colocação pronominal proclítica é dizer em começo de período, em linguagem formal no Brasil, me deixe aqui [próclise incorreta, inculta] em vez de deixe-me aqui [ênclise correta, culta]. E, para encurtar a lista, mais um de mesóclise quando se diz ou se escreve no futuro do presente serei-te grato em vez de ser-te-ei grato.

Assim, mais a ambiguidade – como se viu na penúltima semana de novembro, mas um reforço não faz mal – é emprego de palavras, expressões ou frases com duplo sentido. Um exemplo ambíguo de palavra: Rui Barbosa, águia de Haia,… Ele em Haia foi a águia ou o águia do Brasil? Águia, feminino, é a ave que voa alto, enxerga longe, fundo… E águia, masculino brasileiro, é canalha, espertalhão, tratante, velhaco… Aliás, nos palácios federais brasilienses ainda há muitos águias?

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