Frases feitas, clichês e obscuridade

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Aqueles que escrevem textos, também em concurso para um emprego e vestibular para uma vaga na faculdade ou na universidade, devem evitar o uso de frases feitas ou modismos idiomáticos, clichês e chavões e obscuridade fraseológica.

Frases feitas ou modismos idiomáticos são expressões cotidianas e populares que acabam se intrometendo em textos cultos, cuja intromissão em vez de deixar os textos com riquezas linguísticas, deixa-os pobres e miseráveis. Apresentam-se em itálico alguns exemplos de frases feitas ou modismos idiomáticos: agradar gregos e troianos, a nível de, eu enquanto este profissional, estar com a corda toda, arrebentar a boca do balão, estar na crista da onda, botar pra quebrar, ficar literalmente arrasado, chover no molhado, estar em petição de miséria, ir de vento em popa, deitar e rolar, passar em brancas nuvens, dar com os burros n’água, ser a tábua de salvação, deixar correr solto, segurar com unhas e dentes, dizer cobras e lagartos, ter um lugar ao sol e provar a inocência.

Clichês e chavões são expressões usadas sem critério nem criatividade alguma e que, por serem assim, empobrecem não só o estilo de quem escreve, mas também o texto inteiro. Aqueles que escrevem textos jurídicos, jornalísticos ou outros, inclusive os das ocasiões de concursos profissionais e de vestibulares, devem evitar o uso de clichês e chavões. Entre as dezenas de outros, estão estes poucos exemplos destacados em itálico: calor escaldante, saudosa memória, longa jornada, doce lembrança, emérito goleador, grata surpresa, frio siberiano, inquietante silêncio, lauto banquete, último adeus, providências cabíveis, vibrante torcida, inflação galopante, vitória esmagadora, caixinha de surpresas, caloroso abraço, silêncio sepulcral, nos píncaros da glória, de suma importância e terrivelmente evangélico.

Assim, enfim, a obscuridade, a qual sintetiza a própria falta de clareza. Existem vários senões gramaticais causadores da obscuridade. Entre eles estão estes três mais comuns: assindetismo, ou seja, períodos excessivamente longos, assindéticos, sem conjunções coordenativas ou subordinativas corretas, precisas; arcaísmo, ou seja, linguagem rebuscada e anacrônica; e a má pontuação, ou seja, pôr sinais de pontuação em lugares inadequados ou não os pôr nos lugares adequados e necessários. Obscuridade nesses três aspectos terá vez em muitos textos. Eis um período obscuro com má pontuação em vírgula: Trabalhando será João um vencedor. Corrigido e com clareza: Trabalhando, será, João, um vencedor.

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