Três momentos básicos da dissertação

0
166

A dissertação – também a argumentativa –, talvez por ser a forma literária mais profunda e difícil, é a pedida em concursos. Contudo, todos conseguem escrevê-la, pois está presa à vida reflexiva de todos. Todos refletem e têm algo a dizer, a avaliar, a analisar, a concluir, a dissertar. Conceitua-se como um encadeamento lógico de ideias, de pensamentos, de argumentos, cujo encadeamento lhe pavimenta o alicerce, dá-lhe o conteúdo básico. Raciocínio é-lhe o elemento fundamental. Reflexão é a qualidade necessária de quem a escreve. Período composto subordinado predomina, em tese, na dissertação. Estrutura-se esta em três partes distintas, mas interligadas, introdução, desenvolvimento e conclusão.

A introdução deve ter estas três marcas básicas: 1. Propor o enunciado do problema [o tema, a tese] com clareza tal que tanto quem o escreve quanto quem o lê o compreenda. 2. Sugerir o plano do desenvolvimento, ou seja, apresentar os argumentos básicos. 3. Ser clara, breve, preparatória, precisa.

O desenvolvimento, também com três dados principais, deve ser: 1. Ordenado: cada uma das opiniões, cada um dos argumentos, deve ser sucessivamente avaliada e ligada uma a outra. 2. Progressivo: partir do mais simples, do mais conhecido, ao mais complexo, ao mais desconhecido, ao mais profundo. 3. Equilibrado: não só na proporção, pois essa deve ser relativa a sua importância dentro do todo do parágrafo, de cada parágrafo, mas também como atitude de quem discute a opinião, o argumento, no feixe das opiniões, dos argumentos.

A conclusão, como a introdução e o desenvolvimento, também possui três alicerces básicos: expressão inicial, retomada do enunciado, do tema, da tese, e observação final. É obrigatória a expressão inicial e depois dela a vírgula, e também a retomada do enunciado, do tema, da tese. É facultativa, no entanto, a observação final. Observação final é sinônima de mensagem final. Mesmo facultativa, é de bom tom apresentá-la, não só porque redobra a força da conclusão e da dissertação como um todo, mas também porque, havendo necessidade, preenche o número de linhas exigido para a dissertação.

Assim, aquele que escreve uma dissertação, não apenas argumentativa, mas também de outra modalidade, tem o compromisso de distinguir bem, como distingue bem, bem mesmo, as três partes básicas do próprio corpo – cabeça, tronco e membros, conectados –, as três partes básicas da dissertação e de deixá-las bem conectadas no corpo da dissertação.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here