Aniversário de 26 anos do grupo de teatro “A turma do dionísio”

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 Em 01 de janeiro de 1986, um grupo de amigos que já faziam teatro no Teatro Universitário de Santo Ângelo – TUSA, Paulo Menezes, Dalmir Ledur, Jerson Fontana e Celso Acker, fundavam o Grupo de Teatro “A Turma do Dionísio”. O nome é uma homenagem ao deus da mitologia grega – Dionísio, considerado o deus do teatro.

Para rememorar essa data e homenagear os fundadores e tantas pessoas que fizeram e fazem parte dessa história, transcrevemos o depoimento de Paulo Menezes, publicado na Revista Em Cena 20 Anos, feita pelo Grupo A Turma do Dionísio, para comemorar “ uma trajetória de luta, paixão e aprimoramento no teatro”:

“A minha participação em teatro é anterior ao grupo A Turma do Dionísio. Antes dele, penso que tem muita importância a montagem da peça ‘Dois Perdidos Numa Noite Suja’, com o TUSA, que eu e o Dalmir Ledur apresentávamos. Acredito que esse espetáculo cumpriu uma função importante: a de abrir um mercado teatral na região noroeste do Rio Grande do Sul para que se pudesse viabilizar a apresentação de peças. E isso nos motivou a fundar A Turma do Dionísio. Começamos com o ‘Transaminases’ (primeira peça de teatro montada pelo grupo), no qual eu fazia a técnica e foi uma experiência interessante ver o espetáculo ‘de fora’, pois nas outras cinco montagens do TUSA, sempre estive no palco.

Com ‘A Viuvinha Que Era Boa’ (daí a Maristela já estava no Grupo e em cena), a gente seguiu o barco e houve um aprendizado grande do ofício do ator. Era um trabalho hermético, bem feito e com a ‘cara’ da região, apresentando nos mais diversos tipos de espaços e para todos os públicos. Depois, começamos com os espetáculos infantis.

Era uma época em que tínhamos escassez de equipamentos, de ferramentas, de instrumentos, de tudo que era coisa. É difícil você criar um grupo de teatro e não ter um local pra trabalhar. Ser um artista mambembe na sua própria cidade. Mambembe não só porque fica rodando de espaço em espaço, pedindo favor pra todo mundo, sem ter um local no qual se pode ensaiar e pesquisar.

Mas, apesar da dificuldade, conseguimos atingir um público muito grande, fizemos várias apresentações no estado, fomos para festivais. No Festival de São José do Rio Preto – SP, um belíssimo festival no qual aprendemos muito, assistíamos, por edição, à trinta espetáculos infantis, adultos e de rua. Para o ator, é um momento divino esse aprendizado, de ter acesso às informações e a uma quantidade de peças excelentes, que não assistiríamos nem em vinte anos, se ficássemos só em nossa cidade.

E, com o tempo, veio o reconhecimento do trabalho, principalmente , pelo fato de o grupo ter ido para vários países e em eventos como o Ano do Brasil na França. É preciso cada vez mais ir para longe, longe da sua cidade, para ser valorizado também nela.

Hoje em dia, já mudou um pouco, o grupo é respeitado e seus integrantes são referência, na cidade e no estado, para vários grupos e pessoas que querem seguir o ofício. Muitos colegas já se espelham nessa trajetória de tantos anos de trabalho, de um grupo sediado no interior, autônomo.

Sempre tive prazer em ter trabalhado na Turma do Dionísio, pois nada melhor do que trabalhar sempre com bom humor , com pessoas com quem se tem afinidade e de quem se gosta. Trabalhar assim, é uma das coisas mais importantes da vida”.