Domingão – O entregador de gelo

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Retornando ao cotidiano dos moradores da “villa de Santo Ângelo” nos idos de 1930-1940, destaco uma profissão daquela época: entregador de gelo. Domingos de Oliveira Fortes, o “Seu Domingão”, foi quem teve sob seu encargo, por longos anos, a atividade indispensável de entregar barras de gelo, todos os dias, nas primeiras horas da manhã. Auxiliado por alguns garotos, ele distribuía o produto nos bares, clubes, hospitais, estes tinham prioridade, pois a penicilina, por exemplo, deveria ser mantida a baixas temperaturas.

Como não existia a geladeira, os medicamentos eram guardados no meio de barras de gelo e serragem, dentro de uma caixa de madeira revestida internamente com lata. Nas residências, o gelo recebido era imediatamente enrolado em uma estopa e acondicionado nesse tipo de caixa que permitia a sua durabilidade por praticamente todo o dia.

Da mesma forma, a carroça utilizada para a entrega possuía uma caixa grande forrada com lâminas de metal onde se transportava o produto produzido à noite (pelo próprio Domingão) na fábrica de gelo do Sr. Roberto Frey, localizada na zona sul da cidade, atual Bairro Sabo.

A fábrica utilizava as águas do rio Itaquarinchim, através de uma roda d’água, para movimentar as engrenagens responsáveis pelo funcionamento das máquinas e equipamentos envolvidos na produção, contando, inclusive, com um gerador de energia elétrica.

Além da distribuição, o Sr. Domingão do Gelo, como ficou carinhosamente conhecido, incumbia-se de anotar em um caderno o nome do morador e a quantidade adquirida para, ao final do mês, passar fazendo a cobrança.

Fazendo esta referência a Domingos Fortes, quero lembrar e homenagear seu filho, o senhor Adão Fortes, que, ao longo de muitos anos, vem prestando uma contribuição inestimável para a sociedade, através de sua dedicação à causa da educação para o trânsito.