O templo da redução de Santo Ângelo Custódio

0
122

Nesta gravura, de 1860, talvez a única que registre como teria sido o templo da Redução de Santo Ângelo Custódio (até o momento, as pesquisas e publicações a esse respeito só puderam contar com esta fonte iconográfica), podemos verificar o seu avançado grau de destruição e abandono. Conforme a gravura, vemos que o seu interior estava sendo utilizado como cemitério do povoado.

Através da sobreposição do Plano da Redução de Santo Ângelo Custódio na planta atual da cidade, feita pelo arqueólogo Giovani Scaramella, observamos que a antiga igreja era bem maior do que a nossa Catedral Angelopolitana, isto é, avançava pela atual Rua Antônio Manoel até onde hoje inicia a Praça Pinheiro Machado (ali deveria estar a sua fachada), ocupando todo o espaço da Travessa Augusto Nascimento e, praticamente, toda a quadra onde está a casa paroquial .

Alguns viajantes que por aqui passaram, no século XIX, deixaram informações preciosas a respeito da arquitetura deste templo, descrevendo-o já em ruínas, como é o caso de Hemetério Silveira, Saint-Hilaire e Avé-Lallemant.

Em março de 1821, o botânico francês Auguste de Saint-Hilaire esteve visitando a nossa redução, assim descrevendo-a:

“A única diferença apresentada pela igreja de Santo Ângelo está em sua posição, pois, no mais é perfeitamente semelhante às de São Borja, São Nicolau, São Luiz e São Lourenço. O convento é, entretanto, menor, a praça tem mais ou menos 180 passos em quadro e além disso ainda existem algumas ruas.

A igreja, o curralão e mesmo o convento estão em ruínas e das numerosas casas, seis estão praticamente habitáveis.” (SAINT-HILAIRE,1974:156).

Hemetério Silveira, quando por aqui passou, em 1859, relatou o estado da antiga redução, deixando importantes informações a respeito do templo:

“Aos lados da porta principal, existem dois nichos em um dos quais notava-se a estátua de pedra de Santo Inácio de Loyola, paramentado de casula com um livro debaixo do braço esquerdo, o outro nicho tinha uma estátua de São Pedro Nolasco, mas estava decapitada.(SILVEIRA,1979:171).

Mais adiante, o autor constata a existência de duas colunas menores “únicas restantes das quatro que sustentavam o pequeno alpendre sobre o portão de entrada para o colégio.” (SILVEIRA, 1979: 172).

Quanto a essas colunas, existe uma foto da Praça Pinheiro Machado na década de 1920, onde uma coluna está deitada sobre o solo e um menino está sentado nela. Desde 1996, estão expostos nesta praça, materiais da antiga redução de Santo Ângelo Custódio, são: bases de colunas, colunas e pedras trabalhadas, recolhidas sob a orientação do Museu Municipal.