Rua da Lagoa, 14 de Julho e 25 de Julho

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 É importante retomar a história de uma das ruas da nossa cidade, primeiramente denominada de Rua da Lagoa, depois, Rua 14 de Julho e, hoje, conhecida por Rua 25 de Julho. Esse espaço, em diferentes épocas, desempenhou funções determinantes relacionadas com a economia, a sociedade, a política e a cultura do município.

Tomando por base o processo de ocupação das terras de Santo Ângelo, nos idos de 1860, ali encontramos uma lagoa em cujas margens viajantes paravam para descansar à sombra de árvores ou pernoitar com suas tropas de gado, a fim de seguir viagem no dia seguinte.

Nos anos posteriores, já como Rua 14 de Julho, numa alusão à queda da Bastilha e à promulgação da Constituição do estado do Rio Grande do Sul, o mesmo espaço delineou uma nova configuração na História do município: a rua, outrora considerada demarcatória do final dos limites urbanos municipais, passou a demarcar um espaço caracteristicamente étnico, como se ali existisse, plantado em meio ao sítio urbano, um muro, como uma linha de Tordesilhas, diríamos, a demonstrar a existência de dois países fictícios (Brasil e Alemanha), dentro do mesmo município, frutos de tradições incorporadas e arraigadas no convívio dos moradores.

Tal fato se originou da própria ocupação, em tempos distintos, do lado sul e do lado norte de Santo Ângelo (a partir da rua que, coincidentemente, não observa o sistema quadriculado das outras, conforme o planejamento urbanístico do período jesuítico-guarani), por indivíduos e famílias de origem portuguesa, no mesmo lugar ocupado anteriormente por casas, igreja, claustro, escola, cemitério e oficinas da antiga redução, e por famílias de origem alemã, instaladas, com o advento da estrada de ferro, no lado norte da cidade.

Segundo sua trajetória evolutiva, observamos a mudança de nome, na década de 1950, para Rua 25 de Julho, em homenagem à imigração alemã e, consequentemente, ao colono. Naquela época, a rua passou a destacar-se como centro comercial para onde convergiam carroças vindas do interior trazendo os produtos agrícolas a serem comercializados em bolichões, vendas ou casas comerciais ali localizadas.

Daí por diante, esse logradouro assumiu uma posição estratégica para o desenvolvimento local, vindo a receber um calçadão, espaço cultural e social de relevo para os moradores e, transformando-se, na atualidade, em uma das principais vias de circulação do centro de Santo Ângelo.