A situação energética no Brasil

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A energia é um item essencial para a vida humana, assim como a água e o ar. A energia humana e animal foram as energias mais utilizadas no início do desenvolvimento das sociedades. Posteriormente a lenha passou a ser utilizada pelo homem para o aquecimento e preparação dos alimentos. Porém, com o aumento da população e com o desenvolvimento das atividades econômicas, não somente aquelas ligadas à agricultura, outras fontes energéticas começaram a ser utilizadas, como o carvão mineral e os derivados do petróleo – gasolina e o diesel. As primeiras petrolíferas surgiram por volta de 1850.

Um dos itens utilizados para se verificar o grau de desenvolvimento de um país é a oferta e/ou o consumo de energia, em toneladas equivalente de petróleo – tep, que representam também o acesso a bens de consumo essenciais e a serviços de infraestrutura pela população. Uma tonelada equivalente de petróleo equivale a 10 milhões de quilocalorias (kcal) (Goldemberg & Lucon, 2007).

No Brasil, a oferta interna de energia foi de 1,29 tep por habitante em 2007, oferta energética inferior a média mundial de 1,8 tep por habitante (Vichi & Mansor, 2009), inferior também à oferta de energia primária de 14,6 tep na Islândia e a 9,6 tep em Luxemburgo, mas superior ao continente africano, que apresentou uma oferta de menos de 1 tep no mesmo período (OECD, 2009). Alguns estudos indicam que quando a oferta de energia per capita é inferior a uma tonelada equivalente de petróleo por ano, as taxas de analfabetismo, mortalidade infantil e fertilidade são altas, enquanto a expectativa de vida é baixa.

O cenário energético atual do Brasil, com referência ao ano de 2012, segundo o Balanço Energético Nacional realizado pelo Ministério de Minas e Energia e a Empresa de Pesquisa Energética (2013), aponta para um consumo de 42,4% de energias renováveis (maior do que a média mundial de 14%), e 57,6% de energias não renováveis. As energias renováveis incluem derivados de cana-de-açúcar – 15,4%, hidráulica e eletricidade – 13,8%, lenha e carvão vegetal – 9,1% e as energias não renováveis incluem o gás natural – 11,5%, carvão mineral e seus derivados – 5,4%, petróleo e derivados–- 39,2% e urânio e derivados – 1,5%.

Os setores que mais consomem energia no Brasil são: indústrias – 35,1%; transporte: 31,3%, residencial: 9,4%, setor energético – 9,0%, agropecuária – 4,1%, serviços, 4,5%. O consumo total de energia em 2012 foi de 283,6 milhões de tep. Para 2030 se espera um consumo variando entre 309 e 474 milhões de tep para uma população projetada de 238 milhões de habitantes (MME, 2007).

O setor energético é responsável pela emissão de aproximadamente 2/3 dos gases que provocam o aquecimento global, já que mais de 80% da energia global consumida é proveniente de combustíveis fósseis – carvão mineral, petróleo e gás natural. Os países que não integram a Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento – OCED são responsáveis na atualidade por 60% das emissões. A China é o segundo país com maior consumo energético global, atrás somente dos Estados Unidos. A China é também o maior emissor mundial de gases que provocam o efeito estufa. Alguns estudos indicam que em maio de 2013, a concentração de gás carbônico na atmosfera atingiu valores superiores a 400 partes por milhão pela primeira vez em centenas de anos (International Energy Agency, 2013).

É sabido que a concentração excessiva de gás carbônico na atmosfera é um dos principais fatores responsáveis pelas alterações climáticas que podem provocar maior frequência e intensidade de fenômenos extremos, como tempestades, enchentes, ondas de calor além da elevação do nível do mar e aumento das temperaturas médias.

Para concluir se destaca que os temas relacionados à bioenergia, eficiência energética e energias renováveis, podem permanecer como um dos principais temas de estudos para atender de forma sustentável o desenvolvimento dos países.