As perspectivas internacionais da educação

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 As perspectivas internacionais da educação foram discutidas em uma conferência organizada pela LitCam – uma organização não governamental que promove campanhas para alfabetização e é vinculada à Feira do Livro de Frankfurt. 

Na oportunidade foi apresentada uma pesquisa realizada pela a OECD, denominada “OECD Skills Outlook” (uma olhada nas competências dos países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
Esta pesquisa contou com a participação de 166.000 adultos entrevistados com idade entre 16 e 65 anos. Os participantes do estudo são provenientes de 24 países e regiões consideradas industrializadas. Entre eles estão Austrália, Áustria, Bélgica (Flandres), Canadá, República Checa, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Japão, Coreia, Holanda, Noruega, Polônia, República Eslovaca, Espanha, Suécia, Reino Unido (Inglaterra e Irlanda do Norte), Estados Unidos, e dois países parceiros – Chipre e Federação Russa.
O estudo avaliou a proficiência dos adultos com relação à alfabetização, definida como a capacidade de compreender e avaliar textos escritos; numerácia, definida como a capacidade de acessar, utilizar, interpretar e comunicar informações matemáticas; e resolução de problemas em ambientes ricos em tecnologia, definida como a capacidade de usar tecnologia digital, ferramentas de comunicação e redes. 
Estas habilidades com textos, operações matemáticas e tecnologias são aprendidas e consideradas essenciais para a integração no mercado de trabalho. O desempenho dos participantes foi classificado em 6 níveis: inferior ao nível 1, nível 1, nível 2, nível 3, nível 4 e nível 5.  Quanto maior o nível atingido, maior é a competência na área avaliada.
Os resultados demonstraram, em média, que 11,8% dos adultos entrevistados atingiram o nível 4 ou superior na alfabetização. Os países que apresentaram os melhores resultados nesta competência foram o Japão, com 22,6% e a Finlândia, com 22,2%. Por outro lado, a Itália e a Espanha apresentaram os níveis mais baixos, com 3,3 e 4,6% respectivamente. 
Já com relação às habilidades com os números, foi verificado que, em média, 12,5% dos adultos estão no nível 4 ou superior. Além disso, se identificou que 5,8% dos adultos atingiram o mais elevado com a resolução de problemas em ambientes ricos em tecnologia, classificados até o nível 3. 
As políticas sugeridas pela OECD, para melhorar a desempenho das habilidades avaliadas incluem: proporcionar educação inicial de alta qualidade e oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos; desenvolver relações entre o mundo da educação e o mundo do trabalho, ampliando assim competências técnicas e sociais, como trabalhar em grupo, negociar e comunicar; reconhecer e oferecer recompensas econômicas de acordo com as competências desenvolvidas, encorajando desta forma a busca continuada do aperfeiçoamento profissional.
Para finalizar, é importante lembrar que, como foi visualizado, o desempenho cognitivo de uma sociedade ou de um país não é segredo para ninguém, na atualidade. Há alguns anos já se fala em recrutamento global de profissionais, o que já é uma realidade em alguns países. A Alemanha possui um site chamado “Trabalhe na Alemanha” (http://www.make-it-in-germany.com/en/), que explica passo a passo, como é possível se integrar no mercado de trabalho naquele país.
Em virtude disso, se questiona: Como nós, professores brasileiros, estamos preparando os discentes para o mundo global do trabalho? Os estudantes estão sendo habilitados pelo sistema educacional para apresentar o desempenho e as competências necessárias? Ou serão excluídos do processo devido a uma formação insuficiente e desconectada das exigências mundiais? Os profissionais do nosso país estão conscientes da exigência imperativa da aprendizagem contínua ao longo da vida? Como está a nossa proficiência em inglês para realizar encontros internacionais, participar de forma de efetiva de programas como o “Ciências Sem Fronteiras”, e ter acesso a pelo menos 80% das publicações do mundo?