O clima que está mudando

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Alterações climáticas se referem às mudanças do clima no planeta. Para um melhor entendimento sobre o assunto, é importante inicialmente diferenciar os termos “tempo” e “clima”. O tempo se refere às condições atmosféricas em um determinado instante como a velocidade e direção do vento, temperatura, precipitação etc., por isso escutamos com frequência: “Como está o tempo hoje?” Por outro lado o clima corresponde a uma média de dados observados em estações climatológicas oficiais por pelo menos 30 anos, e, portanto trata de um comportamento provável das condições atmosféricas. Consequentemente quando se fala em alterações climáticas, se refere às alterações médias do clima em longo prazo.

As alterações do clima podem ser de origem natural ou de origem antrópica, ou seja, intensificada pelas atividades desenvolvidas pelo homem. A origem natural das alterações climáticas está relacionada com mudanças naturais no efeito estufa, variações na energia que chega à Terra pelo Sol, mudanças na refletividade da atmosfera e da superfície da Terra.

O efeito estufa é um processo que ocorre quando parte dos raios provenientes do Sol são absorvidos e transformados em calor por meio de gases presentes na atmosfera. É um fenômeno natural e necessário para a manutenção da vida no Planeta. O que tem ocorrido nos últimos anos, principalmente depois da Revolução Industrial, é que a concentração destes gases tem aumentado excessivamente fazendo com que uma maior quantidade de calor permaneça na atmosfera, provocando assim um aquecimento maior do planeta.

As atividades que contribuem para a emissão de gases que intensificam o efeito estufa são aquelas que liberam para a atmosfera o carbono concentrado pela natureza há milhões de anos na forma de dióxido de carbono – CO2, como a utilização de combustíveis fósseis (gás natural, carvão mineral e o petróleo) e o desmatamento.

Em 1988 foi criado o Painel Intergovernamental para Alterações Climáticas com o objetivo de fornecer ao mundo uma visão científica sobre a situação atual das alterações climáticas e os seus impactos socioeconômicos e ambientais. O IPCC está subdividido em três principais grupos de trabalho.

O Grupo I trata dos aspectos físicos das alterações climáticas, como mudanças nos gases de efeito estufa na atmosfera; mudanças na temperatura do ar, da terra e do oceano; precipitações; nível do mar; ciclo de carbono e projeções climáticas. O Grupo II avalia a vulnerabilidade dos sistemas naturais e socioeconômicos diante das alterações climáticas, suas consequências positivas e negativas e opções para adaptação. Já o Grupo III avalia opções para mitigar os efeitos das alterações climáticas por intermédio da prevenção da emissão de gases que provocam o efeito estufa e de atividades que removam estes gases.

O IPCC tem divulgado um relatório a cada 5 ou 6 anos. O primeiro foi publicado em 1990, o segundo em 1995, terceiro em 2001, quarto em 2007. Em junho de 2013 foi concluído o relatório do Grupo I que integra o quinto relatório sobre alterações climáticas do IPCC que será concluído em 2014.

Este relatório do Grupo I possui 9200 citações científicas, recebeu 54.677 comentários de 1089 especialistas, e contou ainda com a participação de 258 autores e editores de 44 países: 5% (12) da África; 15% (39 – 17 da China) da Ásia; 4% (10, sendo que 5 são brasileiros) da América do Sul; 31% (80, 69 dos Estados Unidos) da América do Norte, América Central e Caribe; 7% (19) do Pacífico Sudoeste e 38% (98) da Europa. O relatório possui 14 capítulos e um resumo para formuladores de políticas que foi divulgado em setembro deste ano na Suécia.

De acordo com a revisão bibliográfica realizada (que inclui estas 9200 citações científicas), o Grupo de trabalho I apontou que a atmosfera e o oceano se aqueceram, as quantidades de neve e gelo têm diminuído, o nível do mar tem elevado, e as concentrações de gases de efeito estufa aumentaram, e que é clara a influência do homem nestas alterações que podem persistir por séculos. Por fim e longe de esgotar o assunto, se questiona, é possível ainda duvidar que as alterações climáticas sejam um dos principais desafios da sociedade na atualidade? O que o Brasil tem feito para mitigar estes efeitos? Será que o Brasil não deveria ter uma participação mais ativa no IPCC já que se trata de um tema estratégico e de interesse para todo o planeta?