Pensando gestão rural – e a irrigação no Brasil

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A irrigação pode ser entendida como a técnica artificial de aplicação de água na agricultura visando à melhoria da produção agrícola, tanto em quantidade como em qualidade. Na atualidade existem 5,5 milhões de hectares irrigados no Brasil. O estado que concentra a maior área de lavouras irrigadas é o Rio Grande do Sul, com 1,30 milhões de hectares, seguido por São Paulo – 500 mil hectares, Minas Gerais – 350 mil hectares, Bahia – 293 mil hectares e Goiás – 200 mil hectares.

As culturas com maior utilização da irrigação são cana-de-açúcar – 1,7 milhões de hectares; arroz em casca – 1,1 milhões de hectares; soja – 624 mil hectares; milho em grão – 559 mil hectares e o feijão – 195 mil hectares. Os principais métodos de irrigação utilizados no país são: aspersão, localizada e superfície.
O método de irrigação por aspersão tem como principal característica o lançamento de jatos de água no ar que caem sobre a cultura na forma de chuva. Este método se adapta às diversas condições de solo e topografia, possui boa eficiência de distribuição de água, pode ser automatizado e transportado. Por outro lado, se verifica como limitações, os custos de instalação e operação e a necessidade de água de boa qualidade para manter a vida útil do equipamento. Os sistemas mais usados de irrigação por aspersão são aspersão convencional, pivô central e autopropelido.

No método da irrigação localizada a água é geralmente aplicada em apenas uma fração do sistema radicular das plantas. As principais vantagens deste método é a economia de água – já que somente uma parte da área total é molhada, e a alta eficiência da irrigação – em torno de 90%. Por outro lado, a principal desvantagem é o custo inicial de implantação dos principais sistemas: o gotejamento e a microaspersão.
No método de irrigação por superfície – considerado o método de irrigação mais antigo do mundo, a distribuição da água é realizada por gravidade por meio da superfície do solo. As principais vantagens deste método são: menor custo fixo e operacional requer equipamentos simples e possui baixo consumo de energia. Todavia este método é o que possui maior consumo de água e a menor eficiência de aplicação da água, em torno de 60%. Os sistemas mais utilizados de irrigação por superfície são os sistemas de inundação e sulcos.

E quais são os critérios para escolher um método e/ou sistema de irrigação? Alguns parâmetros podem ser citados, como topografia – em áreas planas pode ser utilizado qualquer sistema de irrigação, porém nas áreas que não são planas devem ser adotados sistemas de irrigação por aspersão (até 30% de declive) ou localizada (até 60% de declive); solo – solos com alta capacidade de infiltração devem ser irrigados com aspersão e solos com baixa capacidade de infiltração devem ser irrigados com irrigação localizada. Cultura – deve-se observar sistema e o espaçamento de plantio, a profundidade do sistema radicular, a altura de plantas e as exigências agronômicas. Outros fatores como fonte de água e aspectos econômicos devem ser observados.

A irrigação também é utilizada em outros continentes e países. De acordo com os dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, 2009), o continente asiático possui 47,2% da área cultivada sob sistemas de irrigação, incluindo a China com 58% e a Índia com 41,9% respectivamente. Entretanto, a África do Norte possui 28,7% da área cultivada sob sistemas irrigação (Egito-100%), e a África Subsaariana, 3,6%. A América Latina possui 13,3% da área cultivada sob sistemas de irrigação, o Chile com 100%, seguido pelo Equador – 77%, Colômbia – 48%, e Brasil – 8% (Mundo – 22%).

Para finalizar, é preciso enfatizar que em janeiro de 2013 foi publicado a lei 12.787/2012 que trata da Política Nacional de Irrigação, visando incentivar a ampliação da área irrigada no país, aumentar a produtividade de forma sustentável e reduzir os riscos climáticos para a agropecuária. Já o Rio Grande do Sul instituiu o Programa Estadual de Expansão da Agropecuária Irrigada – Mais Água, Mais Renda por meio da Lei 059/2013, com o objetivo de aumentar as áreas irrigadas e prevenir os efeitos das estiagens no estado. Este programa está à disposição de todos os agropecuaristas que pretendem implantar sistemas de produção irrigados.