Pensando gestão rural – e o balanço energético na agricultura

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A eficiência energética, definida como a relação percentual entre a energia produzida e energia consumida, é uma das principais ferramentas para avaliar a sustentabilidade de uma atividade agrícola. O consumo eficiente de energia na agricultura promove benefícios financeiros, preserva os combustíveis fósseis e reduz a poluição do ar.

A agricultura é responsável por 2% do consumo de energia primária ao redor do globo e é responsável por 22% dos gases que provocam o efeito estufa. Mas o uso de energia na agricultura tem sido intensificado em resposta ao aumento da população, que deve chegar a 9 bilhões de pessoas em 2050, maximização da produção, realização de práticas intensivas e mecanizadas. No Brasil, o consumo de energia na agricultura foi elevado principalmente depois da revolução verde, quando a utilização de novas tecnologias foram introduzidas aos sistemas produtivos.

Os setores que mais consomem energia na agricultura são maquinários, fertilizantes e pesticidas. Os fertilizantes são responsáveis por 40-50% do total de energia utilizada na produção agrícola em países desenvolvidos. No Brasil, o consumo de fertilizantes, que inclui a soma dos nutrientes disponibilizados para as culturas por área cultivada, tem crescido. A média do consumo de fertilizantes (nitrogênio, fósforo e potássio), era em 1992, de 69.4 kg hectare-1, e em 2008, passou a ser de 143.7 kg hectare-1 (IBGE, 2010). A quantidade de fertilizantes utilizadas no Brasil é inferior à média utilizada na Alemanha (211.6 kg hectare-1), mas é superior ao que é utilizado nos Estados Unidos (120.5 kg hectare-1), de acordo com o Banco Mundial.

No Brasil, 73% dos fertilizantes utilizados são importados: nitrogênio: 75% (mais de 60 países produtores), fósforo: 51% (principais países produtores: Estados Unidos, China, Rússia, Tunísia, Marrocos), potássio: 91% (principais países produtores: Canadá 35%, Rússia 22%, Belarus 17%, Alemanha 13%, Israel 6%) (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 2007). Os fertilizantes nitrogenados são responsáveis por 94% do consumo de energia de toda produção de fertilizantes, devido à elevada utilização de gás natural e carvão mineral na fabricação do mesmo, já o fósforo e o potássio são extraídos de rochas.

O consumo de energia na agricultura pode ser classificado em energia direta (trabalho humano, diesel, água para irrigação), indireta (sementes, fertilizantes), renovável (trabalho humano, fertilizantes orgânicos) e não renovável (diesel, eletricidade, químicos, fertilizantes, maquinários). A avaliação energética pode ser realizada por meio da transformação dos insumos em unidades de energia. Posteriormente, indicadores como a eficiência do uso da energia, produtividade energética, energia específica e energia líquida podem ser calculados.

A determinação do balanço energético na agricultura pode servir como o primeiro passo para identificar os processos de produção das culturas mais eficientes. Vários estudos têm sido feitos para avaliar a eficiência energética dos cultivos. Por exemplo, Adriane Assenheimer e outros autores, investigaram a análise energética comparativa entre dois sistemas de produção da soja, sistema orgânico (SO) e sistema convencional (SC) na safra 2003/2004 no Paraná. A energia total utilizada no sistema orgânico foi de 12.427,18 MJ hectare-1 enquanto no sistema convencional foi de 16.895,36 MJ hectare-1. Por outro lado, a energia extraída, proveniente da produtividade obtida, foi de 53.943,48 MJ hectare-1 (SO) e 130.540,80 MJ hectare-1 (SC). Consequentemente a eficiência energética foi superior no sistema convencional.

Muitos estudos precisam ainda ser feitos para avaliar a eficiência energética dos cultivos de acordo com os sistemas adotados, época de semeadura, tecnologias adotadas, e assim, contribuir com a identificação de sistemas sustentáveis.