A Filosofia do Passado e do Futuro de Nietzsche

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Os intelectuais que registraram indiscutivelmente seu pensamento filosófico no contexto histórico mundial, primavam como ponto de partida para erigir suas teorias inicialmente abstratas, formar elementos que simbolizassem a natureza do ser humano em sua essência existencial. Mormente das vezes, o homem era sempre dividido em duas partes, polarizando sua compreensão sucessivamente.

A começar por alguns destes intelectuais, Dostoievski (1821-1881) classificou os indivíduos em ordinários e extraordinários, Immanuel Kant (1724-1804) optou por denominá-los em minoritários e maioritários, Sigmund Freud (1856-1939), através do desenvolvimento da psicanálise, estabeleceu a divisão entre consciente e inconsciente, enquanto Friedrich Nietzsche (1844-1900), fazendo uso da mitologia grega como pano de fundo para sua construção filosófica, ao discorrer acerca da natureza humana, proclamou sua bifurcação em Apolo e Dionísio.
Ponderando sobre o aforismo Nietzscheano, faz-se necessário como informe introdutório, dissertar sobre uma pequena história que gira em torno de Zeus – “o pai dos deuses e dos homens”, “deus dos céus e do trovão”.

Filho de Crono e Réia, Zeus era considerado a personificação máxima da perfeição, reunindo todas as qualidades que visam formar um ser superior em relação aos demais. Era tido para os gregos como o supervisor do universo, ostentando um conjunto de excelências comportamentais, feitos heroicos e detentor da sabedoria divina. Enfim, um espelho da culminância para o restante dos seres vivos.

Conhecido por suas aventuras eróticas, do qual resultavam em descendentes divinos, semidivinos e mortais, Zeus viria a relacionar-se com a princesa Semele, vindo a gerar posteriormente o controverso e cultuado Dionísio, único deus olimpiano filho de uma mortal, delegando assim uma particularidade interessante, no sentido de Dionísio por ter o “sangue misturado”, ser uma divindade grega anômala.

Dionísio além de ser cortejado como o deus do vinho e da embriaguez, representa o imaginário das festas desregradas, da insânia, da desinibição humana, dos excessos descontrolados por assim dizer. Adaptando para as lendas romanas, seu nome alternativo era Baco, pelo qual em meio às orgias regadas a vinho, Dionísio ou Baco era saudado pelos romanos como símbolo do instinto humano cru, sem dissimulações ou disfarces. Quanto a isto, há uma terminologia referente à palavra “bacanal” prover deste contexto.

Para completar a polarização de Nietzsche, o oposto desse retrato instintivo de Dionísio recaía em seu irmão Apolo, deus do Sol e herdeiro natural do legado divino de Zeus, sendo depois deste, possivelmente o deus mais influente e venerado de todos os da Antiguidade Clássica. Ao contrário de Dionísio, Apolo pregava a consciência e racionalidade aos homens frente aos seus pecados, sendo considerado como o agente da purificação e defensor da virtude, além de deus do Sol e da beleza, figurava como suas bandeiras, a perfeição, a harmonia, o equilíbrio e a razão.

Mas deixando por enquanto a mitologia grega de lado, o que teria a ver Dionísio e Apolo com a filosofia de Nietzsche e pior ainda, com os fundamentos da natureza humana?

Continua…