A Luta Sagrada. A Queda da Bastilha. A Fuga dos Falsos Doutores

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Com o intuito de buscar subsídios no exercício da literatura, observo cotidianamente o individualismo comportamental em meio às relações entre seres humanos e divinos. Sendo assim, nada mais natural que constatar algumas particularidades interessantes frente a esta tênue linha de contato sobrenatural.

Andando atento pelos corredores acadêmicos do curso de Direito, vou encontrando uma diversidade intelectual proeminente de diferentes áreas de atuação. Em meio ao processo de observação e consequentemente dos diálogos reflexivos, sobressai-se o docente oriundo da divindade mitológica helênica. Não o profissional construído pelo sistema da Paidéia (educação tradicional grega), mas sim, o ser auto-intitulado como “deus da sabedoria”, detentor das nuances do conhecimento e sequestrador ilusório das informações e atalhos pertinentes a determinado campo do saber.

Os profissionais desta estirpe fincam posições ligeiramente precipitadas ao pensar, por exemplo, que qualquer pessoa desprovida do título de mestre, padece de ignorância crônica, perdendo por consequência o direito a conversas prévias, receptividade por parte do professor, ou simplesmente uma possível aproximação.

O conhecimento obtido de forma autônoma é friamente desconsiderado, pois não há grau, título ou certificado científico que ateste qualquer tipo de argumentação. Somos semanalmente desprezados pelos doutores da educação, onde os mesmos mantêm-se isolados num círculo de fogo, impedindo os meros iniciantes amadores de se resguardarem dos longos caminhos que não param de se abrir atrás das cortinas de fumaça.

Alguns intelectuais acabam por fragmentar a educação, criam abismos separatistas, fecham-se dentro de si, apenas dirigem calmamente seus automóveis importados, usando roupas bem demarcadas e enchendo a barriga do bom vinho. Ficam a contemplar a desgraça alheia dos que os procuram, deixando claro que suas ideias não prestam e seus fundamentos não servem, restando a longa trilha espinhosa como única opção. Enterram a sete palmos o autoconhecimento, transformando a dialética “ensino-aprendizado” em mais um produto do capital. Caso não seja contribuinte da casa, está sentenciado ao amargo insulamento.

Os operários diplomados, soberbos em ternos de fino corte, loções francesas, cabelos sedosos e bem penteados, desfilam em sapatos de couro deixando rastros de desolação, belos, admiráveis, esplêndidos, luxuosos, suntuosos, enfim, majestades que contribuíram para o apartheid do humano e do divino, imortalizados no panteão sagrado dos gregos, todos vocês um dia comerão aquilo que servem.

Reúnam-se corajosamente gladiadores da subversão, encilhem seus cavalos, carreguem as canetas e engatilhem as palavras, deixem de lado as lanças afiadas. A grande bastilha da falsa educação ruirá apenas pelo medo da aproximação do desconhecido, uma vez ignorados, voltaremos da sôfrega escuridão com nossos sentimentos renovados, avançando contra o exército da padronização e sepultando de vez o feudalismo educativo.