A Mata Virgem

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O vento aliviando a mente com sua brisa ritmada pelas volubilidades do tempo / na medida em que a sola do pé absorve espontaneamente a vitalidade da terra. Sendo assim, não é difícil sentir-se cansado. Pego pela alegoria real da natureza. Trilhas coloridas e plácidas para os nervos. Definhando nervos a flor da pele. Deliberações são chutadas para longe. Um céu azul e profundo, repleto de pontos de interrogação. Tudo aquecido por um Sol fixo e impiedoso. Pelo qual, irradiam ondas escaldantes de calor capazes de deixar o corpo transpirando constantemente. Sem pausas. Um marcador diário.

Assim, caminhando em meio à relva, Lúcia joga-se de sobressalto ao pé de uma mangueira. A raiz de forma bruta improvisa-se como escoro. Esteio sincero do mundo. Sutileza pueril e benéfica. Lúcia escuta num estado onírico o canto desesperado dos pássaros, enquanto um pequeno grupo de pombas silvestres cata gravetos para a confecção de lares futuros. As borboletas lentamente batem suas asas na intenção de serem contempladas. Voam baixo ao plano da vista dos instintos. Saudades e tormentos.

Inebriada pela atmosfera lírica verde, Lúcia tira a pequena blusa de alças finas. Os seios agora alimentados à deriva da gravidade, pesam e assim tomam sua forma. Liberdade em dose dupla. Faltava uma grande jangada que conduzisse Lúcia através do riacho para algum jardim secreto. Onde sua fantasia pudesse percorrer liberta de cadeados mundanos. Suas mãos jogam os cabelos para trás. O short jeans sem marca e a calcinha branca de algodão representam a última instância de esperança. O alívio de perceber-se vivo. As fórmulas do universo. Toda fauna e flora numa selvageria que engolem e cospem as maravilhas indefectíveis.

Lúcia era puro sabor, cheirava a camomila do mato. Os olhos verdes eram espelhos d’água. A pele sempre quente. Cabelos negros e sedosos. Uma oliveira azeitada. Seu suor era colônia afrodisíaca. Óleo de fêmea. As curvas desenhadas milimetricamente. Meditava com os pés imergidos no riacho. Molhava o rosto e nuca. Sua respiração era longa e lenta.

Quando de repente acorda, abre vagarosamente os olhos alvos e abaixa short e calcinha de uma só vez. Grandes lábios rosados de mulher. Feminilidade posta como um banquete refinado de carne branca e vinho tinto. Num movimento rápido, Lúcia mergulha na água em curso e o que se ouve na sequência são gemidos e devaneios ecológicos. O frescor espalha-se pelo corpo numa injeção de adrenalina. Quando retorna à margem, traz consigo o bálsamo da realidade do ser. Vista de longe era miragem. De perto, era assombro na acepção de encanto.

Faltava seu par, sua vítima, seu colega, seu companheiro de aventuras. Foi aí que Josué, seu vizinho de fazenda aparece.

Tímido, espinhento e pálido. Dedos de juntas grossas e um pouco gago.

– E então macho?

– Demo…demorei mui…muito?

– A pressa é tua! E o interesse também! Pobre Josué, trancado numa inocência confusa. Abra bem teus olhos e diga-me o que vê!

Num instantâneo solavanco, o coração lacrado do menino Josué sobe até congestionar a garganta. Desequilibrado, joga os braços para trás e cai sentado. Esforços monossílabos são despejados. Sua gagueira é toda num só golpe revelada.

– O q…q…está…fazz…fazendo?

Andando em sua direção, Lúcia não profere uma só palavra. Fita seus olhos e o hipnotiza. Para somente quando sua jóia está na mira da testa de Josué. Deste modo, sem mais nem menos, flexiona suas pernas e agacha. Uma fotografia de ângulo único. Josué sente o néctar voluptuoso do desconhecido. Sua calma pronta para entrar em cena enfim surge. Um uivo animalesco entre garças desengonçadas a voar.

Por fim, Lúcia abaixada com as mãos na cintura, sente as faíscas solares atravessar as brechas das árvores dando o tom do que estará apenas começando. Ela fecha os olhos e sorri, enquanto ensina também na condição de aprendiz, um amor inesquecível.