O contorno dos espaços no surrealismo literário

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Sobem os vapores dos bueiros na madrugada. As testemunhas possíveis são apenas alguns cachorros e por ventura um mendigo desavisado. O deslocamento é só por aqueles que estão para o crime. Vertigem da moral em seus cabelos varridos. A literatura reproduzindo o real convidando para entrar em seus quartos decorados. Haveria alguma possibilidade da promoção de um ambiente totalmente escuro? Cada leitor com seu interruptor de luz clareando o morto para o vivo. Olhando de suas próprias janelas para o branco cortado por linhas vazias. Claro que somos donos de nossas próprias escolhas e cada qual confia em sua própria bússola. Mas em relação ao nascimento e o lugar, isto é algo inalcançável. As gerações passadas ao morrer, sentem que deixam uma obra para quem fica. A guitarra de Carlos Santana surge para abastecer e dar sentido ao nirvana de Schopenhauer. Nossas vontades morrem a cada satisfação. Depois de consumado o fetiche do capitalismo, novamente uma vontade. Às vezes à vontade esfacela-se quando colamos a mão no bolso e encontramos a coxa. Fazemos então uma lista.

O bem e o mal vão além
Além deles mesmos
Correm numa imensidão de campos de trigo
Escondem-se e voltam a aparecer
Sinergias copulam em arranha-céus
Homens mascarados nas masmorras das cidades
Juízes impetram interpretações
Não se confia nos passos que vem detrás
No espaço bubônico
Esquizofrênico em sua atmosfera
Vamos diminuindo os espaços
Os espaços das linhas
Diminuindo
As linhas
Os espaços
Até pouco conseguir
Dizer