“O Dia em que Jesus Falou em Português” e o valor do “Histórias Curtas”

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 Ainda no universo dos curtas-metragens, o programa “Histórias Curtas”, realizado pela RBS TV e que vai ao ar aos sábados entre os meses de Outubro e Novembro às 12h20min, além de consistir em um projeto de dramaturgia que abrange o trabalho de diferentes profissionais da sétima arte, como artistas, roteiristas, diretores e demais técnicos do Rio Grande do Sul, atua sobretudo como subsídio no fomento a produção cinematográfica gaúcha, constituindo num diferencial na captação de novos talentos e servindo como suporte de referência para criação de iniciativas semelhantes.

A RBS TV, por meio de um concurso público, financia o projeto assim como fornece os equipamentos necessários para captação e finalização, inerentes na construção e desenvolvimento dos trabalhos. Por conseguinte, os mesmos são avaliados e selecionados por um júri formado por profissionais ligados às entidades de cinema, teatro e televisão do RS, que reúnem um total de oito projetos para posterior exibição.

Com a proximidade da edição 2012, acabei lembrando-me da primeira mostra ocorrida em 2001, saindo como grande vencedor daquele ano no quesito “melhor episódio” – consagrado pelo Júri Oficial e Popular, o curta “O Dia em que Jesus Falou em Português”, dirigido por Tide Carvalho e Gina O´Donell, e tendo no papel principal Roberto Birindelli, figura conhecida nos circuitos de teatro e do cinema gaúchos. Opiniões à parte, é considerado por muitos o melhor trabalho já apresentado pelo “Histórias Curtas” nestes dez anos.
A história de “O Dia em que Jesus Falou em Português” gira em torno de um grupo de amigos que vão encenar a “Paixão de Cristo” no interior do estado. A partir daí, com a substituição do ator que interpretaria Jesus por um refugiado da Europa (primo de umas das atrizes) e que obviamente, não fala uma só palavra em português, irão surgir acontecimentos que afetará a mesmice rotineira de um pequeno lugarejo encravado no meio de tantas fazendas.

Além do script principal, um dos elementos que me chamou atenção foi à preocupação em retratar o pampa gaúcho como fotografia. O personagem de Birindelli (vestido de Jesus) está pela janela da velha Kombi azul contemplando o horizonte verde e mágico de nossas coxilhas, numa oscilação de sonho e curiosidade. Apesar de constar fora da órbita anedótica proposta pelo curta, tal passagem sustenta-se como pano de fundo no desenrolar dos fatos até o inusitado final, pintando nossas belezas naturais e suas mais variadas cores.
Por fim, não deixem de assistir “O Dia em que Jesus Falou em Português” e também de acompanhar a edição 2012 do “Histórias Curtas”. Na próxima coluna, abordarei o filme Nina (2004), longa de estreia do diretor Heitor Dhalia.