A arte de ser honesto

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Dizer que o povo brasileiro é desonesto parece injusto. A maioria da população, sem dúvida, é digna e não merece esse título. Mas a forma como a imprensa nacional repercute alguns casos passa a impressão aos desatentos que a honestidade é rara e prevalece no país a cultura da desonestidade, tendo como base as manchetes de corrupção e escândalos políticos. Na semana passada, assistindo a TV, acompanhei o comentarista da RBS, Lasier Martins, conclamando políticos e as pessoas de um modo geral para seguirem o gesto do menino Lucas Rosa que devolveu uma carteira com R$ 1,5 mil a uma senhora de 72 anos, que havia perdido seus pertences em Porto Alegre. 

Atitudes louváveis como essa acontecem todos os dias, mas a mídia, na maioria das vezes, deixa de lado esses casos para se dedicar aos escândalos. Normal, dá Ibope e repercutem na sociedade.

BILHETE NO PARABRISA

Repito, exemplos de honestidade estão presentes no nosso dia a dia. O colega de Jornal das Missões e Rádio Santo ngelo, Airton Peruzzi, bem sabe disso. Um dia desses estacionou seu automóvel Classic, na área central da cidade, para tratar de assuntos particulares num estabelecimento. Ao retornar encontrou um bilhete no parabrisa do veículo com um número de telefone e um recado: “manobrei mal e bati no teu carro”. Imediatamente ligou para a mulher que colidiu em seu automóvel. Acertados os prejuízos, tudo foi resolvido e esse bom exemplo quase passou despercebido não fosse o Airton um profissional da imprensa.

HOMEM INGÊNUO

Apesar dos bons exemplos, é preciso reconhecer que muitas pessoas assimilaram a cultura da desonestidade, seguindo péssimas condutas da nossa sociedade. Um tempo atrás, quando trabalhava em outra empresa, ao encerrar meu expediente, escutei dois guardas no seu posto de trabalho tecendo duras críticas à corrupção no país, a falta de recursos para a saúde e educação, entre outros reclames. Logo em seguida, diante de uma televisão ligada, os profissionais interromperam a conversa e observaram atentamente a notícia do faxineiro Francisco Basílio Cavalcante que devolveu 10 mil dólares esquecidos no banheiro do Aeroporto Internacional de Brasília. O faxineiro estava endividado, mas optou em fazer a coisa certa. No entanto, os dois vigias se revoltaram com a atitude do cidadão, demonstrando a mais completa incoerência em seus argumentos. Lembro até hoje a frase daquela tarde fria. “Que homem ingênuo, deixou de resolver seus problemas e devolveu o dinheiro para quem não precisava. Se fosse eu, jamais cometeria esse erro” tascou um dos vigias.

Fiquei perplexo com a declaração. Tomei um café, vesti o casaco e fui para a casa.