Alimento do futuro

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Algum amigo leitor já se imaginou alimentando-se de células-tronco de animais quando “bater” aquela fome. Não pense ser um devaneio deste cronista. No futuro, o hábito poderá ser comum no cotidiano das pessoas. Uma recente reportagem da “Revista Isto É” abordou os avanços das novas tecnologias na área da alimentação. Um deles é o hambúrguer de laboratório feito com células de gado. A novidade foi apresentada pelo cientista holandês Mark Post.

A textura é semelhante ao tradicional hambúrguer. A amostra da carne artificial acabou sendo preparada pelo chefe de cozinha Richard McGeown diante de uma platéia de cientistas e jornalistas. O alimento foi degustado pelo escritor Josh Schonwald, autor do livro “O sabor do amanhã”, e pela cientista austríaca Hanni Rützler. O grelhado recebeu aprovação de todos e a ideia no futuro é produzir carne animal em laboratórios.

O pesquisador revelou que as pesquisas buscam elaborar peças mais complexas como cortes de carnes para churrascos e outros alimentos mais saudáveis, com menor impacto ambiental. Tudo porque o método convencional de produzir carne, com a criação de gado, acaba ocupando amplas áreas de terras, refletindo diretamente na natureza. Além disso, a carne sintética vai evitar o sofrimento dos animais hoje abatidos – que abre um amplo debate sobre o aspecto moral. Sem dúvida, os estudos são bem-vindos. Atualmente o planeta possui 7 bilhões de habitantes e a escassez de alimentos, seja pela má distribuição ou pelo pouco espaço para o cultivo, representa uma grande preocupação da humanidade. A ONU fez uma estimativa que em 2050 o planeta terá mais 2 bilhões de habitantes e uma das saídas serão as fontes alternativas de proteínas. Reconheço que soa estranho um cidadão ir a um restaurante pedir um bife ou corte de carne de células-tronco para degustar. No entanto, as novas tecnologias apontam para esse caminho.

CONSUMO DE INSETOS
Outra solução indicada por pesquisadores para a escassez de alimentos no mundo é o consumo de insetos que representam a maior fonte de proteína da natureza. Estudos revelam que são mais de 1.662 espécies de insetos comestíveis.

Em alguns países asiáticos, africanos, na América do Sul e na gastronomia dos aborígenes da Austrália, o consumo de inseto é algo comum. Os pequenos seres ocupam o lugar da carne na mesa de muitas famílias. Escorpiões, tarântulas, larvas, gafanhotos, entre outros, são alguns dos ingredientes que fazem parte, por exemplo, da saborosa culinária chinesa. Até mesmo no Brasil, na região Sudeste, a famosa farofinha com a formiga tanajura (a saúva) enche de água na boca os apreciadores desta iguaria. Confesso que nunca provei formiga dessa forma. O máximo que degustei foram algumas formigas brancas boiando no café de inhame, na casa de minha avó, no interior de São Miguel das Missões, devido a problemas de armazenamento do cristal, numa época de vida difícil, sem energia elétrica, com poucos recursos para quem vivia no meio rural.

Alguns leitores devem estar com náuseas ao ler essa crônica que trata de forma herege um tema tão sagrado para a humanidade: a alimentação. É preciso salientar que na vida tudo é uma questão de costume. No futuro, imagino a seguinte cena: um restaurante servindo macarronada com grilos crocantes mergulhados num suculento molho de tomate. Depois do prato degustado pelo cliente, completamente satisfeito, o garçom na maior naturalidade perguntando: – Está servido?