Celebração aos mortos

0
117

Centenas de pessoas foram aos cemitérios da cidade, no Dia de Finados, visitar sepulturas, levar flores e relembrar os entes queridos. Tradição preservada a gerações que reflete uma forma de as pessoas celebrarem a morte. Essa maneira de cultuar os falecidos talvez sejam resquícios da cultura greco-romano, que venerava os túmulos dos antepassados como templos sagrados.

O escritor Fustel de Coulanges explica que os antigos gregos, além de relembrar os ancestrais através das sepulturas, realizavam banquetes fúnebres, inclusive mantendo uma chama acesa em altares erguidos em suas casas para garantir a imortalidade dos espíritos, cultuados como deuses familiares (Deuses Lares). Esse costume faz lembrar o hábito de acender velas no Dia de Finados.

EGITO

Os egípcios acreditavam que a morte não era o fim, mas apenas o início de uma nova existência. Eles colocavam corpos embalsamados em sarcófagos para que a alma do morto pudesse percorrer, pelo mundo além-túmulo, o campos de Iaru (o paraíso). Já na cultura japonesa, com o advento do budismo, os corpos passaram a ser cremados e as cinzas colocadas em urnas funerárias para serem levadas às casas dos familiares ou ao cemitério.

DIA DOS MORTOS

No México, a forma de celebração segue um costume de origem indígena. Todo o dia 2 de novembro comemora-se o Dia dos Mortos. Nesta data são realizadas festividades ao reino dos mortos, dedicadas às crianças e parentes falecidos. Fantasias de caveira tomam as ruas e alimentos são levados aos cemitérios.

PAI INCONSOLADO

Em visita ao Cemitério da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre, tempos atrás, me deparei com uma cena incomum numa capela mortuária onde estavam sepultados dois irmãos gêmeos.

O primeiro deles morto em acidente de automóvel e o outro assassinado um ano depois em um assalto na capital. Na entrada do mausoléu, os visitantes recebem um chave para entrar num ambiente amplo, com objetos pessoais, vestimentas de crianças, retratos dos dois jovens e um aparelho de som rodando músicas antigas que eles ouviam. Cenário intrigante que dava a sensação de as almas estarem presentes no ambiente. Um dos zeladores revelou que o senhor separou-se da esposa e passou a morar no sepulcro. Depois, com pouca saúde, voltou à cidade, mas deixou recomendação aos zeladores para nunca deixarem de rodar as músicas no mausoléu.

A MORTE

Ao fazer uma reportagem ao Jornal das Missões, no Cemitério Roque Gonzales, na semana passada, vi quatro irmãs sorridentes limpando a capela onde esta sepultado o pai. As senhoras, simpáticas, contaram que semanalmente se encontram no local para limpar a sepultura, falar do cotidiano e relembrar os bons momentos vividos com o familiar. A cena me trouxe inquietudes.

Naquele fim de tarde, na redação, refleti sobre a morte, sobre meus avós que partiram e a minha vida. Sei que cedo ou tarde, a morte me envolverá em seus braços, me conduzindo ao descanso, num grande gesto de carinho.