Lambari, anzol e Coca-Cola com fernet

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Quatro caniços, linhas de mão, anzóis pequenos para lambaris e maiores para pintados e traíras; um pote de minhoca, tesoura e um canivete de estripar peixes. E para passar a tarde alguns petiscos: amendoim japonês, pistaches, sementes de abóboras salgadas, peras e chocolate. Já para refrescar o calor, Coca-Cola, fernet branco argentino e gelo. Com essa lista completa, nos preparamos para a pescaria de sábado, naquela tarde de sol quente.

Convidamos os primos Erivelton e Elenita. Seguimos rumo ao recanto de um amigo, no interior de Entre-Ijuís. Transitamos pelo asfalto da ERS-344, passamos pela cidade, e depois entramos na BR-285 para quem vai sentido Esquina Gaúcha/Coronel Barros. Após alguns minutos de viagem, pegamos uma estreita estrada de chão, à direita, até chegar na chácara à beira da mata.

RATO DA TAQUARA
Fomos recepcionados pelo proprietário e também um cachorro grande, branco e vermelho, abanando o rabo. Na entrada, uma casa pequena e mais a beira do rio, uma boa sombra de angicos, pitangueiras e sarandis. Ao lado da moradia, havia um taquaral, onde habitavam alguns ratos enormes de barriga branca. Pude ver um deles, estirado na maior preguiça, dormindo sobre a taquara.
O proprietário da chácara me explicou que era um rato da taquara, enorme, que se alimenta exclusivamente de brotos desta planta. Apesar do rabo de rato, o roedor parecia um pequeno urso panda.

RIO VERMELHO
Eu, a Raquel e o casal de primos ficamos mais acima do riacho, enquanto na parte de baixo, jovens sentados sobre as pedras se preparavam para banhar-se nas refrescantes águas vermelhas. Era lindo ver – tchungum! Braçadas largas das pessoas nadando naquelas águas calmas e silenciosas. Enquanto isso, nas margens de cima, os lambaris davam botes na caça de insetos na lâmina d’água.
Preparamos as iscas. Como das outras vezes cravei um anzol no dedo. Preparamos as linhas de pesca no caniço, as iscas com minhocas e iniciou a pescaria. Primeiro, fisgamos lambaris. Em seguida, os coloridos pintados e carás cartola. A esperada piava não veio. Mas valeu a pena, damos uma pausa para o piquenique na sombra de uma robusta árvore. Preparamos para beber Coca-Cola com fernet branco e muito gelo. – Humm!… Muito bom! Com essa bebida, o corpo relaxou e as ideias fluíram como as águas mansas do riacho. Depois contamos os peixes pescados, limpamos, preparamos a bagagem e retornamos para casa. Na estrada, vimos lavouras, capões de mato, alguns rebanhos de gado no pasto e, no horizonte, um lindo pôr-do-sol que se despedia. Então veio a noite, a lua, as sombras, o silêncio e a escuridão.