Lembranças de criança

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Sábado foi comemorado o Dia das Crianças. Nesta data duas notícias me chamaram a atenção. A primeira de um recém-nascido abandonado no centro de Vera Cruz, no Vale do Rio Pardo, no Rio Grande do Sul. E a outra, que li no Jornal das Missões, é de um menino de Sete de Setembro que produz seus brinquedos com materiais recicláveis.

A primeira notícia é estarrecedora, mas com certeza o amigo leitor vai me repreender por essa afirmação, dizendo que esse não é o primeiro caso. Certamente que não. Mas, sem dúvida, uma notícia triste que aconteceu justamente no Dia das Crianças, uma data tão simbólica na vida de cada um.

Gostei mesmo da história de Edilson Bayer, de 13 anos, de Linha Estefânia, que vive no interior de Sete de Setembro. O menino confecciona seus próprios brinquedos nas horas livres. Latinhas, restos de madeira e garrafas PET são transformados em brinquedos. Até uma casinha foi montada com material reciclável. Fiquei surpreso com a criatividade do
menino. Em tempos de brinquedos modernos, essa notícia me chamou a atenção.

Quando pequeno, revelo, tive poucos brinquedos. Cresci em meio aos carretéis de linha. Minha mãe e a tia avó costuravam. Tinham pouco tempo para dar atenção e eu acabava ficando por perto brincando com retrós, botões, joaninhas e outros objetos.
A brincadeira era interrompida quando pegava os alfinetes. A mãe repreendia e então seguia ao terreiro para catalogar folhas de plantas e insetos.

No terreiro, meu lugar predileto era brincar nos pés de salsaparrilha. Nelas eu encontrava o besouro verde, a joaninha vermelha e o louva-a-deus a espreita de uma algum inseto para degustar. Na bergamoteira, estavam as lagartas mede-mede e na horta de couve fazia a coleta da curuquerê, que armazenada num vasilhame virava casulo e depois numa borboleta amarela a lançar voos curvos no ar, fazendo traçados imaginários. E em meio às folhas secas das bananeiras, localizava os escaravelhos negros. Embaixo das cascas da limeira coletava as formigas amarelas que construíam pequenos túneis no caule da planta.

PASSEIOS NA MATA

A infância, sem dúvida, é o momento em que a imaginação comanda os sentidos. Como esquecer o banho no lago, as pescarias de lambaris nos igarapés, os passeios no sítio do Seu Maurílio para comer pitangas, cerejas e guabirobas na chegada do verão. Lembro, como se fosse hoje, o Juca a abrir caminho na capoeira para os demais meninos, prosseguirem com segurança, evitando pisar em cobra. A aventura era compensadora, mesmo que depois se transformasse em preocupação na hora de voltar para casa, e a mãe esperar com a chinela na mão. O Dia da Criança me trouxe doces lembranças que o tempo não consegue apagar.