Sol de verão

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Neste final de semana, visitei com a minha noiva o Rancho LM, próximo ao trevo da Fenamilho, na ERS-344. Fui recebido pelos irmãos Sidnei e Sinésio sempre alegres e receptivos com os visitantes. Falamos sobre o rancho e projetos deste belo recanto de paz e sossego.

A temperatura estava amena e o sol incrivelmente radiante. Preparei o chimarrão e fomos conhecer a pousada dos cavalos e as belas paisagens do local, seguindo trilhas, com verdes campos, mata nativa e mais ao fundo da propriedade o imponente rio Ijuí.

Sobre uma canga cor de vinho, colocamos castanhas, uvas, damascos e chocolate com pimenta rosa para degustar, namorar e passar o tempo. Falamos sobre arqueologia, jornalismo, projetos e ao mesmo tempo em que observávamos os barulhos de animais dentro da mata. Vi um sabiá sobre uma pitangueira procurando alimento e um pequeno lagarto a se movimentar entre as plantas, rapidamente. Algumas andorinhas davam rasantes no céu, aproveitando o embalo do vento, enquanto pequenas nuvens formavam imagens que pareciam peixe, cão e até mesmo semblantes humanos.

O LOUVA-DEUS
Sobre uma folhagem da mata, visualizei um casal de louva-deus namorando. A fêmea bem maior e mais verde, durante a cópula, fitava o pequeno macho mais escuro, distraído no frenesi carnal. Num gesto abrupto a fêmea devorou a cabeça do seu amante, enquanto o esquálido corpo da vítima seguia em espasmos a fecundá-la. A cena era cruel, mas me fez lembrar a postura de algumas figuras humanas que apesar de literalmente não devorarem cabeças, dedicam a vida a fazer mal às pessoas e obter vantagens.

SIMPLICIDADE DA VIDA
Também observei a pequena corruíra, com sua coloração marrom clara, com gorjeios e trinados entrando na mata. O pássaro me fez lembrar a simplicidade da vida, que nós muitas vezes, no nosso egoísmo e distração, acabamos por complicá-la. Como o mundo seria mais fácil de viver se o ser humano fosse menos complexo.

Outra cena marcante foi a fêmea de beija-flor ao lado do ninho a cuidar dois pequenos filhotes famintos no maior reclame, indiferentes ao perigo tão próximo, onde uma pequena cobra verde estava a espreita deslizando no tronco da guabirobeira esperando a oportunidade de se alimentar. Apesar da beleza da mata, num olhar simplório, percebi em cada canto cenas de encanto e morbidez, refletindo a beleza da vida e a crueldade da morte; a magia da luz e o mundo das sombras fazendo contraste.

Depois de tantas lembranças e inquietudes fitei novamente o céu e pude ver o sol de verão, quente, radiante a pulsar como um coração projetando luz, iluminando caminhos num verdadeiro convite para a vida.