Tardes de domingo

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Nunca gostei de domingo por ser um dia preguiçoso, bucólico, em que assisto filmes e leio livros. Este, porém, foi especial. Nem mesmo as nuvens cinzas, neste dia chuvoso, conseguiram despertar em mim a tradicional melancolia das outras vezes. Acordei tarde com o barulho dos espetos. Era meu pai nos preparativos do churrasco. Logo em seguida chegou minha irmã e sua família para o almoço, com ponta de peito, costela, picanha, carne de porco temperada com manjericão, e a saborosa maionese de batata.

DENTE DE LEITE
A sobrinha pequena chegou ao meu quarto trazendo sua faixa de prenda Dente de Leite, do CTG Tio Bilia, exibindo orgulhosa a sua recente conquista. Então resolvi comprar uma lâmpada para o meu quarto e decidi levar a pequena ao supermercado. Comprei o produto e fomos ao café do estabelecimento comemorar a sua conquista. Brindamos com duas latas de refrigerante. Falamos da escola, do CTG e das coisas cotidianas presentes na vida de uma criança. Voltamos para casa degustar o churrasco.

DOCE CRISTALIZADO
Depois do almoço veio o sono. Após a sesta uma rápida espiada nos e-mails e logo em seguida fui visitar uma amiga escritora. Falamos das poesias de Carlos Drumond de Andrade e os romances de Gabríel Garcia Márquez. Em seguida veio o chimarrão e os doces cristalizados de figo e abóbora. Nesse momento, lembrei os saborosos doces de Pelotas, que costumo apreciar no Mercado Público, quando vou a Porto Alegre. A escritora me apresentou sua recente publicação literária e na sequência degustamos um saboroso café. O barulho da chuva trouxe lembranças, e as lembranças inquietudes.

Falamos da vida, falamos dos sonhos e a noite chegou. Ao retornar de automóvel para casa vi ruas tristes, vazias, escuras e silenciosas num cenário repleto de solidão. Apesar disso, neste domingo, me senti tão vivo, em um dia tão doce, tão puro e suave como as crônicas de Rubem Braga. E por fim, em casa, ao chegar ao meu quarto, encontrei sobre a cama um bilhetinho da sobrinha pequena com palavras gentis e o gato deitado, indiferente e preguiçoso como as tardes de domingo.