Uma questão de economia

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No Brasil, os gestores públicos quando cortam gastos, a primeira área atingida é a cultura, que já recebe parcos recursos. Em Santo Ângelo a história se repete. A 4ª edição da Feira do Livro, por uma questão de economia, não será mais realizada na Praça Pinheiro Machado, sendo transferida para o Centro de Cultura. A medida não altera apenas o local desse evento, instituído por lei municipal em junho de 2010, mas também rompe uma tradição: a circulação de leitores pela praça e o que é pior, enclausura a feira num espaço fechado.

A notícia, que circulou pela cidade, pautou os frequentadores do Brique da Praça, do Café do Cisne e outros locais. Posso dizer, pela impressão obtida ao conversar com as pessoas, que a maioria ficou frustrada, pois esperavam que a Feira do Livro fosse feita em frente à Catedral Angelopolitana. “Esse é o segundo evento retirado da praça. O primeiro foi o Festival Cidade das Tortas”, observou o integrante de uma entidade cultural da cidade, lamentando o acontecido.

Para alguns leitores desta coluna, a mudança de local não faz a mínima diferença. Respeito essa opinião, mas confesso, discordo da decisão. O Poder Público está tirando eventos consagrados da praça, um dos espaços públicos mais nobres da nossa cidade. Não podemos pensar pequeno, a cidade merece mais.

GRANDES AUTORES

Na Praça Pinheiro Machado ficará um imenso vazio diante das lembranças das outras edições da promoção literária. Uma feira que trouxe autores consagrados da literatura gaúcha, como Moacyr Scliar e Letícia Wierzchowski, autora do livro “A Casa das Setes Mulheres”, depois transformado em seriado pela TV Globo. Quantos professores, jovens e crianças, encantados, circularam pelo Centro Histórico curtindo o prazer da leitura neste belo cenário que somente em 2012 reuniu mais de 10 mil pessoas. Também não posso esquecer os parceiros da Feira do Livro sempre presentes em cada edição como a 14ª Coordenadoria Regional de Educação, a Academia Santo-angelense de Letras, a URI, o IESA e outros integrantes.

CAFÉ LITERÁRIO

Apesar da mudança é gratificante saber que a Academia Santo-angelense de Letras vai manter a promoção do “Café Literário” – um espaço para apresentar escritores locais, shows de artistas e a venda de um saboroso café preparado na hora. Por falar nisso, já ia me esquecendo, o aroma que vem da cozinha avisa que o café está pronto. Encerro essa coluna desejando uma boa terça-feira aos amigos leitores.