Jornalismo literário

0
135

Tive de escrever um obituário uma vez. Naquela única vez, me apeguei ao que tinha lido no Livro das vidas, organizado por Matinas Suzuki Jr., para conseguir expressar em palavras a vida da pessoa que havia falecido (era um político importante na comunidade, mas não de Santo Ângelo). A obra que me apoiou nessa escrita é um compilado de textos de obituários do New York Times. Não falam da tristeza que a morte traz, mas da trajetória de vidas comuns, que ganham outra dimensão quando descritas pelo olhar curioso dos repórteres.

O que me chama a atenção nessa obra é a técnica dos jornalistas que escrevem os textos. Eles retratam com detalhes como uma situação ocorreu. Isso se vê bastante na literatura, o detalhamento do local, dos gestos, das expressões faciais…enfim. No jornalismo factual, aquele do dia a dia, é difícil conseguir fazer isso. Normalmente em pautas especiais o repórter tem possibilidade de empregar essas técnicas.

Esse tipo de escrita, de Jornalismo Literário, é característico em livro reportagem – que narra de forma mais extensa uma reportagem que não seria suportada nas mídias tradicionais. O que acontece, na realidade, é que o jornalista segue a sua essência de informar, mas tem um ganho de vocabulário, com uma estrutura narrativa mais aprofundada.

Sugestões

A sangue frio de Truman Capote
Truman Capote conta a história da morte de toda a família Clutter, em Holcomb, Kansas, e dos autores da chacina. Capote decidiu escrever sobre o assunto ao ler no jornal a notícia do assassinato da família, em 1959. Além de narrar o extermínio do fazendeiro Herbert Clutter, de sua esposa Bonnie e dos filhos Nancy e Kenyon, o livro reconstitui a trajetória dos assassinos.

 

 

 

Os Sertões de Euclides da Cunha
Relato minucioso sobre a Guerra de Canudos, ocorrida entre 1896 e 1897. É considerado o primeiro livro-reportagem brasileiro. Uma das obras mais importantes para se compreender o Brasil.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here