Sete anos

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Lembro muito bem do domingo, dia 27 de janeiro de 2013. Estava em casa (com meus pais), passei o fim de semana lá. Acho que já estávamos no preparo do almoço. A TV estava ligada, mas era uma coadjuvante. De repente, a tradicional programação esportiva da manhã foi interrompida pela jornalística. Parei diante dela. Via cenas caóticas, um incêndio…onde? Santa Maria. 50, 100, 200 pessoas mortas (242, na verdade). Tudo ia sendo atualizado em interrupções na programação ao longo do dia. Naquela época ainda estudava em Ijuí (estava no terceiro ano de Jornalismo). Quando voltei pra lá (no mesmo dia), a cidade estava comovida. Pessoas em choque, tentando entender o que houve. Sete pessoas foram veladas lá. Conhecia nenhuma delas. Porém, era (e é) impossível não se sentir parte de toda essa tragédia. Santa Maria é o destino de muitos jovens que encerram o Ensino Médio e fazem curso superior.

Cinco anos depois, Intrínseca lança o livro “Todo dia a mesma noite – a história não contada da boate Kiss”, de jornalista Daniela Arbex. A obra relembra o episódio e traz depoimentos de quem vivenciou a noite. São pontos de vista de jovens que estavam lá dentro, de bombeiros, médicos, familiares. A narração de Daniele é muito detalhista, em certo ponto lembro que fui transportada para dentro do prédio. Podia sentir a falta de ar.

Não tenho mais esse livro – dei ele de presente (o que é estranho, já que não me desfaço de livros, muito menos este).

Nesta semana, quando a tragédia completa sete anos, sugiro a leitura. É limpa, clara, esclarecedora, densa e dura.

Sugestão

A sugestão dessa semana é mais um desejo de leitura. “Ensaio sobre cegueira”. Segue a sinopse: “Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma ‘treva branca’ que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas.”

Porém, não é um livro sobre uma doença de origem biológica, sim uma crítica a sociedade fechar os olhos e se negar a ver a realidade (seja ela qual for). Obra foi adaptada para o cinema em 2008, dirigido por Fernando Meirelles.

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