300%, X ou Y, Bob Esponja e lugar comum

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300%

Os empresários de Santo Ângelo tem total legitimidade para pleitear junto ao Poder Municipal uma maior valorização da categoria, especialmente das lojas de roupas e assemelhados, como se viu há algumas semanas.

Por outro lado, também devem entender que um tanto dessa suposta desvalorização sofrida provém dos altos preços que o comércio local cobra pelos produtos que oferece. Conheço estabelecimentos que colocam uma margem de 300% em cima de uma camisa, por exemplo.

Ninguém quer sair prejudicado, claramente. Mas o consumidor detém o direito de pagar um preço justo pelo produto que pretende adquirir. Se isso for compreendido, garanto que a própria população da cidade passará a valorizar de maneira mais contundente o comércio local.

X ou Y
O povo se tapa de nojo ao se dirigir a algum órgão público e ser atendido de maneira vil por funcionários concursados. Nesse ponto, a reivindicação pública detém toda a razão quando ataca os ganhos do funcionalismo.

Mas a realidade é que existem funcionários públicos bem intencionados, que desempenham suas funções corretamente e estão no serviço público porque trazem consigo uma espécie de honra que os motiva. Portanto, toda e qualquer crítica às remunerações do funcionalismo deve ser perfeitamente embasada e digna do seu alvo

O fato notório, contudo, é que o problema do funcionalismo brasileiro é a influência política que a máquina administrativa acaba absorvendo. Se tivéssemos um Estado organizado em suas funções administrativas apenas a partir de um viés técnico, sem desconsiderar, obviamente, o fator humano, isso inexistiria.

Precisamos de uma mudança.

Toda perseguição ideológica deve ser combatida – ninguém duvida (sem contar que o respeito à Constituição jamais pode ser posto de lado). Mas quando o sujeito carrega seus atos profissionais de boa índole, de nenhuma forma merece críticas em razão da função que desempenha. Se recebe um valor X ou Y pelo seu trabalho, trata-se de outro assunto.

Aliás, mesmo que um pouco distante do tema, quantos juízes e promotores de justiça brasileiros percebem quase vinte mil reais ao mês e não sofrem qualquer ataque por parte da sociedade, ainda que muitas vezes não cumpram com o seu papel?

Devemos pensar em todas essas arestas antes de emitir posicionamentos desqualificados.

Se não o fizermos, seremos como aquele atendente do cartório que olha para todos com ar de “estou fazendo um favor”.

Bob Esponja

Quem acha que junho de 2013 foi um mês revolucionário para a história do Brasil, vive na toca do Bob Esponja.

As instituições estatais não mudarão da noite para o dia e as consequências de tudo quanto ocorreu ainda são obscuras.

Inexiste uma ideologia clara por trás da movimentação presenciada e apenas persiste uma vontade de mudança que diz muito, mas não sabe ao que veio.

Se o gigante acordou, conforme se tem propalado aos quatro ventos, permanece naquele estágio entre o sonho e a vigília, tateando as paredes do quarto na busca de algum ponto conhecido.

Falta principalmente a compreensão de que a causa dos inúmeros problemas brasileiros não se encontra exclusivamente na esfera do Estado e seus ocupantes administrativos, mas na própria prática diária dos cidadãos.

Esse “olhar para si”, esse “enxergar quem se é”, ainda está por nascer – e longe desse senso, continuaremos no limbo democrático por muitas e muitas décadas.

Lugar comum

Esses caras que andam com o som do carro à toda, espiando o movimento das calçadas com jeito de quem pode tudo, parecem alguma espécie de pássaro macho que gosta de balançar o rabo para atrair a fêmea.

Mudam as roupas, permanecem os costumes, predomina o instinto.

Em suma, a mesma piada de sempre – lugar comum.