Apenas no Maranhão?

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Fala-se da Família Sarney como se a mesma fosse extraterrena.

Mas não é.

O poderio dos Sarney é apenas o reflexo maximizado do que ocorre em todo o Brasil: expropriação da coisa pública por escusos interesses privados, como nunca me cansarei de dizer.

Basta você olhar para o cenário político de qualquer cidade do interior brasileiro, por exemplo, que encontrará exatamente o mesmo quadro: duas ou três famílias se revezando no Executivo municipal, soltando farpas ao deus-dará e pensando que tudo deve ocorrer em conformidade com os seus critérios.

Será que é apenas no Maranhão que políticos são proprietários de meios de comunicação?

Será que é apenas no Maranhão que o sistema prisional está falido?

Será que é apenas no Maranhão que existem problemas na saúde, na educação, na infraestrutura e na segurança pública?

Será que é apenas no Maranhão que existe um planejamento urbano que não atende às expectativas da população?

Será que é apenas no Maranhão que a distribuição da riqueza detém um desnível tremendo, contrapondo ricos e pobres de uma forma escandalosa?

Será que é apenas no Maranhão que o dinheiro público é gasto em requintes luxuosos que servem para alimentar facínoras?

A resposta é óbvia.

Nesse assunto, aquela máxima antiga vale de forma claríssima: “quando João fala de Pedro, sei mais de João do que de Pedro”.

Devemos analisar um quadro maior quando tratamos desses assuntos, pois do contrário cairemos em um gargantear de mesa de bar que não servirá para absolutamente nada.

É nítido que a Família Sarney é a maior responsável por grande parte dos problemas do Maranhão em se tratando de amarras ao desenvolvimento.

Entretanto, não é um caso isolado e muito menos é a única responsável por esses problemas.

Uma transição no governo resolveria tudo? Todos sabem que a negativa é verdadeira, visto que não adianta mudar os atores se não modificarmos o cenário e o roteiro.

O Brasil necessita de uma cultura política nova e de uma população que deixe de se alimentar apenas com inconformidades sazonais impulsionadas por manchetes sangrentas e comentaristas de olhos arregalados.

Precisamos fazer do debate político uma constante em nossas vidas – e distanciar, na medida do possível, nossos interesses pessoais daquilo que corresponde à coisa pública, ao bem coletivo.

Longe disso, continuaremos como um povo bobão que adora xingar muito no Twitter e só.

Vocês querem isso?

Eu não, mas tem muita gente que quer.