Arte e mercado

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Arte
Há algumas semanas, um ex-aluno do primeiro ano do Curso de Direito me enviou um e-mail pedindo dicas literárias.
Sem querer menosprezar nenhum autor e reconhecendo que não sou nenhum erudito, enumerei as seguintes sugestões que me passaram pela cabeça:
a) sobre autores brasileiros, existem alguns que gosto muito: Raduan Nassar (ex.: Lavoura Arcaica), Hilda Hilst (ex.: Do Desejo), Daniel Galera (ex.: Mãos de Cavalo), Ignácio de Loyola Brandão (ex.: Não Verás País nenhum), Fausto Wolff (ex.: À Mão Esquerda) e Reinaldo Moraes (ex.: Pornopopeia) – sem esquecer, obviamente, o grande Machado de Assis, do qual a obra que mais me chama atenção é Memórias Póstumas de Brás Cubas;
b) sobre autores latino-americanos, existem outros que admiro: Jorge Luis Borges (ex.: Ficções), Julio Cortázar (ex.: Jogo da Amarelinha), Mario Vargas Llosa (ex.: Conversa na Catedral) e Gabriel García Márquez (ex.: Cem Anos de Solidão), apenas para citar uns poucos;
c) já quanto a autores universais, penso em vários e vários, como Albert Camus (ex.: O Estrangeiro), Jean-Paul Sartre (ex.: A Náusea), Simone de Beauvoir (ex.: O Sangue dos Outros), Fiódor Dostoievski (ex.: Os Irmãos Karamazov), Leon Tolstoi (ex.: A Morte de Ivan Illicht), Henry Miller (ex.: Trópico de Câncer), Gustave Flaubert (ex.: Madame Bovary), Émile Zola (ex.: Germinal) e tudo do Fernando Pessoa.
Talvez essa curta lista, que indica tão-somente algumas das minhas preferências literárias mais marcantes, sirva para alguém além do meu ex-aluno – pois sem arte e cultura é impossível se falar em conhecimento e saber.

Mercado
Povo fala demais em “mercado de trabalho” e em “preparação para o mercado de trabalho”.
Povo fala demais em “profissional com habilidades técnicas” e em “carreira de sucesso”.
Povo fala demais em “objetividade”, “clareza” e “motivação”.
Povo esquece que Josef Menguele, aquele infame médico nazista que realizava experimentos com seres humanos em Auschwitz, era um “profissional preparado para o mercado de trabalho”, “objetivo”, “claro”, “motivado” e que alcançou “sucesso em sua carreira”, tendo ótimas “habilidades técnicas”.
A mercantilização do saber e a instrumentalização da ciência exclusivamente com foco no “mercado de trabalho”, relegando a um segundo plano a história, a arte e a filosofia, por exemplo, podem levar exatamente a esse resultado: a formação de pessoas que entendem muito da sua área, mas não sabem a razão de fazer o que fazem, não possuem empatia, ética e não trazem o menor senso de corresponsabilidade coletiva.