Até logo, Santo Ângelo!

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 Estou indo embora de Santo Ângelo – por livre e espontânea vontade. Há coisa de quatro meses venho pensando sobre o assunto com muito cuidado – e na próxima semana, eu e minha namorada, companheira e amiga, Naziane Timm, deixaremos a cidade rumo a Balsas, sul do Maranhão.
O motivo é simples: recebi uma ótima proposta profissional, a qual me será extremamente benéfica. Por conta desse fator, deixarei as Missões – uma vez que todos trazem consigo a pretensão de melhorar de vida.

Não serei o primeiro e nem o último santoangelense que irá para outros lados do país na busca de novas oportunidades. Infelizmente, essa parece ser uma constante missioneira, considerando que as razões que traçam esse cenário não convém discorrer nesse momento.
O fato é que sentirei extremas saudades da minha família, dos meus amigos, dos meus colegas e dos meus alunos do IESA. Santo Ângelo, afinal das contas, é a cidade na qual nasci e cresci em todos os sentidos.

Mas no momento é a melhor atitude que posso tomar.
Mudanças são necessárias – e tenho a convicção de que essa mudança que optei encarar será ótima.
Dificuldades, obviamente, existirão.

Mas quando você sente que está caminhando nas terras do comodismo, detém uma espécie de obrigação moral de se movimentar, sendo que no meu caso essa obrigação surgiu agora, aos vinte e oito anos de idade.
O que sei e vejo de forma clara, é que quando começamos a dançar no ringue desse boxe dos dias, movidos por ímpetos de mudança, horizontes novos se abrem, dependendo nossos passos unicamente da persistência na direção de outros paradigmas. Jabs ou cruzados de esquerda podem até buscar nosso rosto. Se acertarem, porém, o sangue terá um gosto doce na boca.

De qualquer modo, penso que não se trata de uma “despedida” ou de um “adeus”, mas apenas de um “até logo” – e meus textos, inclusive, continuarão aparecendo nas páginas do Jornal das Missões.
Espero que da próxima vez que visitar a cidade, alguns dos seus problemas estejam resolvidos – pois assim como eu necessito de uma mudança, Santo Ângelo também necessita não apenas de uma, mas de várias mudanças.

Seja da forma que for, levarei tudo quanto aprendi na cidade em todas as minhas palavras e atos. Quando voltarei e se voltarei, não faço a menor ideia. Mas sempre serei grato pelo que me aconteceu aqui, pois detenho a completa incapacidade de guardar rancor.
No pesar das moedas, penso que fiz mais amigos que inimigos – e quero acreditar que deixo em Santo Ângelo alguma marca, por menor que seja. Talvez isso seja pedir demais, mas não custa nada sonhar com a imagem que desejamos para nós mesmos.

Agradeço a todos, sem exceção. Na balança dos erros e acertos, devo ter incidido mais nos primeiros que nos últimos, mas afirmo que procurei fazer o meu melhor, carregando minhas ações de franqueza e senso fraterno.
Para terminar, tenho de confessar que não sou bom em escrever textos intimistas e muito menos em falar de mim. Aliás, todos os que falam de si em demasia normalmente estão incorrendo em mentiras.
Portanto, para que eu não crie fantasias em torno da fatia de existência que deixo em Santo Ângelo, acabo por aqui.
Fiquem bem: a gente se cruza pelos caminhos da vida, sejam eles virtuais ou reais.
Foi bom enquanto durou, mas é hora de dar “tchau”, como diziam os Teletubbies.