Carta aberta aos(às) candidatos(as) a prefeito e vereador(a) de Santo Ângelo

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Senhores(as) candidatos(as).

Sou um eleitor como outro qualquer. Em função dos direitos políticos que trago, meu voto será contabilizado da seguinte forma: 01 (um) – e nada mais. Mas tenho de admitir que o fato de escrever para um jornal de grande circulação no município e na região, responsabiliza-me moralmente no sentido de trazer para o(a) leitor(a) contribuições minimamente válidas ao seu cotidiano. Caso algum(a) dos(as) senhores(as) acompanhe minha modesta e recente coluna neste diário, deve ter ciência que trato de assuntos diversos, abrangendo, como diria Douglas Adams, “a vida, o Universo e tudo mais”. Hoje, porém, decidi, consciente do meu ínfimo papel, fazer alguns pedidos aos(às) caríssimos(as) senhores(as) candidatos(as). Infelizmente não poderei embasar legal e logicamente meus pedidos em função do curto espaço destinado a este texto. Da mesma maneira, não citarei nomes e me restrinjo, ciente das minhas limitações e pleno de respeito apartidário, aos termos que seguem.

Em primeiro lugar, trato das promessas. Assim, peço que não prometam a escrituração de terrenos em área de proteção permanente às margens do Itaquarinchim, peço que não prometam a extinção de todos os CCs da Prefeitura e da Câmara de Vereadores, peço que não prometam a distribuição de mais de setecentas bolsas integrais e parciais para universitários do município, peço que não prometam a doação de material de construção para toda e qualquer pessoa que o requisitar à respectiva Secretaria, peço que não prometam isenções ou absurdidades no que diz de impostos essenciais à vida financeira do município, peço que não prometam cargos a eleitores(as) com a simples intenção de captar seu voto e peço que não favoreçam quaisquer correntes religiosas com relação ao que diz da realização de eventos e demais festividades na cidade. Com relação às promessas, os(as) senhores(as) candidatos(as) haverão de concordar que os(as) eleitores(as) de hoje são melhor informados(as) que os(as) eleitores(as) de ontem – e que, compulsando mesmo fatores legais que possam entrar em questão, muitas dessas “obrigações assumidas para o futuro” são basicamente de impossível cumprimento.

Em segundo lugar, trato da campanha. Assim, peço que não comprem votos por meio de presentes na forma de obras universitárias, peço que não procedam com o pagamento de festas de casamento e de aniversário, peço que não distribuam panfletos anônimos difamando determinados(as) candidatos(as), peço que não paguem R$ 400,00 para um(a) morador(a) instalar material de campanha em frente à sua residência, peço que não financiem reconstruções de moradias atingidas pelo recente temporal que atingiu a região, peço que não digam que um(a) eleitor(a) perderá seu benefício assistencial concedido pelo INSS caso o(a) senhor(a) não venha a se eleger, peço que não insuflem ânimos violentos em seus cabos eleitorais, peço que na noite que antecederá as eleições não impeçam a livre circulação de pessoas em determinados bairros e peço que mantenham a campanha que se dará nos próximos dias em um nível civilizado, racional e cortês, respeitando a oposição e rebatendo argumentos com calma e coesão. Com relação à campanha, os(as) senhores(as) candidatos(as) haverão de concordar que crimes são crimes e devem ser interpretados como tais – e que, embora o Brasil seja um país essencialmente patrimonialista e clientelista com respingos coronelistas, os(as) senhores(as) detém o dever de reverter esse cenário em prol do amadurecimento da democracia brasileira.

Em terceiro lugar, trato do amanhã. Assim, peço que visualizem os problemas da cidade não “jogando” a responsabilidade para administrações passadas ou atuais, mas buscando soluções que não estejam puramente relacionadas a interesses eleitorais ou picuinhas entre grupos que de forma alguma atentam aos interesses da coletividade. Peço também que, caso venham a assumir o cargo que almejam, os(as) senhores(as) se comprometam com os princípios republicanos afeitos ao respeito à dignidade da pessoa humana e condicionados principalmente pela fraternidade, pela igualdade, pela liberdade, pela humanidade e pela diferença. Peço ainda que tenham perfeita noção de que suas concepções morais de qualquer natureza, normalmente não estão “casadas” com os anseios coletivos – sendo que são estes anseios e desejos que os(as) senhores(as) representarão caso venham a se eleger.

Tendo em conta tudo quanto falei acima, senhores(as) candidatos(as), respeitosamente peço hombridade, civilidade, humildade, inteligência, compromisso e honestidade – qualidades humanas que existem independentes de partido, instrução, credo, cor, sexo ou preferências futebolísticas.

Contando com sua compreensão e confiança,

Eduardo Matzembacher Frizzo.

Santo Ângelo (RS), 27 de setembro de 2012.