Chatolindo, churrascada e Lava Jato

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Chatolindo
Se o camarada se estressar com tudo, vira um grandessíssimo chato.
Mas se o cara não se estressar com nada, transforma-se em um tremendo idiota.
O pior é que diante do cenário que tenho visualizado nos últimos dias (fundamentalismo religioso subscrito por 172 deputados na PEC 0012/2015 + punitivismo de apartamento chancelado pela CCJ na PEC 171/1993 + etnocídio indígena plantado por ruralistas na PEC 215/2000, por exemplo), fica difícil manter um senso estoicista, sereno, que prime pelo debate e não pelo embate.
Portanto, resta o simples questionamento: melhor a chatice ou a idiotice?

Churrascada
Nas eleições do ano passado, elegemos um Congresso conservador socialmente e liberal economicamente.
Houve expansão das bancadas empresarial, policial, evangélica e ruralista, ao passo que ocorreu uma diminuição da bancada trabalhista e dos direitos humanos.
A consequência?
Diante de um Executivo acuado por incontáveis incompetências econômicas e inumeráveis escândalos estatais, o Congresso ressuscita pautas reacionárias e soterra agendas progressistas com a intenção de angariar o apoio de uma vasta fatia da população, como se estivesse reagindo aos “descalabros de um desgoverno petralha e esquerdopata”, para utilizar os neologismos da voz de certas pessoas.
Isso exime o Executivo de responsabilidades?
Não, visto que defender o Executivo com unhas e dentes me parece insanidade diante do quadro atual.
Mas isso faz do Congresso um herói?
Também não, já que suas posições vêm espelhando anseios oportunistas que nitidamente vão de encontro à consolidação do Estado de Direito no Brasil.
Então qual é o reflexo verificável, à parte maiores resultados futuros?
Uma guinada à direita promovida pela escassez de confiáveis referenciais políticos de esquerda: se a coisa está feia, a tendência é corrermos para a caverna – ainda que lá corramos o risco de encontrar um dragão que fará de nós um tostado e seco churrasco.

Lava Jato
Quando a Operação Lava Jato chegar em sua 1077º fase, depois de ter investigado todo e qualquer empresário sonegador de impostos e dos direitos trabalhistas, do tipo que acha que o empregado “faz um favor” ao trabalhar em sua empresa, depois de ter investigado todos aqueles que já furaram filas, pagaram propina ou descolaram um cargo de confiança com um vereador, depois de ter investigado todos os religiosos que se acham donos da verdade e querem a sua palavra como única e insubstituível em toda e qualquer instância, depois de ter investigado o cara que diz que a menina é vagabunda porque usa roupa curta, mas baba pelas dançarinas do Faustão, depois de ter investigado todos aqueles que concluíram a escola ou a universidade na base da cola e/ou do plágio, depois de ter investigado os conspiracionistas de ocasião e seu conservadorismo caolhíssimo regado à cabernetsauvignon e comentários estrambólicos no G1, enfim teremos um país sério, livre da corrupção e, sobretudo, sob o domínio de Nárnia – caso Sauron não apareça como derradeiro salvador da pátria.